Alckmin vê ação eleitoreira e critica 'grupelho radical'

Serra faz coro e Haddad diz que é preciso 'nomear' os acusados; já Kassab apenas lamentou a paralisação

O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2012 | 03h05

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem à noite, durante lançamento do arquivo digital do Estado, no Auditório do Ibirapuera, na zona sul, que a greve dos metroviários e ferroviários teve conotação eleitoreira. Ele destacou que o aumento não será repassado às tarifas e afirmou que o governo continua investigando possíveis sabotagens.

"Não tinha sentido essa greve. A data do dissídio era só em 31 de maio", alegou Alckmin. Ele estranhou sobretudo a convocação de greve a quatro meses da disputa das eleições municipais. "É estranho que num ano de eleição isso ocorra. No ano passado não houve", disse.

Questionado se acreditava em sabotagem política nos episódios de pane no Metrô e na CPTM, Alckmin disse que houve ação provocada e os fatos estão sob investigação. "Nós tivemos casos que estão sendo investigados que não foram espontâneos, obviamente, não é? Fios cortados, cabos de energia elétrica, uma série de questões que foram provocadas."

Pela manhã, em entrevista ao telejornal SPTV, da Rede Globo, Alckmin ressaltou que a paralisação foi ilegal e promovida por um "grupelho radical", que prejudica a população com fins políticos. O tucano ressaltou ainda que o sindicato dos metroviários descumpriu decisão judicial, que obrigava a categoria a operar com 100% da frota nos horários de pico. O discurso foi seguido pelo secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes (leia mais acima).

Já o prefeito Gilberto Kassab (PSD) afirmou no Ibirapuera que seria "leviano" comentar o cunho político, pois estava "distante" da questão. Mas afirmou que a paralisação foi "lamentável" e aprovou a indignação do governador. "Os paulistanos pagaram um preço alto."

Campanha. Também presente no auditório, o pré-candidato à Prefeitura de São Paulo Fernando Haddad (PT) rebateu as afirmações do governador. "Quando se faz uma acusação dessa natureza, é preciso nomear os responsáveis para que possa ser feita uma investigação", disse. Já Alckmin afirmou que tentativas de explorar nas eleições o que os petistas chamam de "apagão" nos transportes são "ridículas".

No mesmo evento, José Serra, pré-candidato a prefeito pelo PSDB, defendeu a tese de Alckmin. "Eu acho que tem (motivo eleitoral), claro. É ano de eleição", afirmou. "É uma teoria estranha, mas verdadeira, de gente que quer faturar o quanto pior, melhor." E destacou que podem ter ocorrido sabotagens do sistema. "Acho que sim, uma parte delas (das falhas), sem dúvida (foi causada por sabotagem). É muito fácil você com uma gravata, uma camisa, um suéter, parar um trem, não deixando a porta fechar. Não diria que tudo que aconteceu tem a ver com isso, mas uma parte sem dúvida."

No microblog Twitter, Gabriel Chalita (PMDB) afirmou que o "caos em São Paulo mostra a falta de planejamento da cidade". Segundo ele, é preciso ter "competência e ousadia para tratar a mobilidade".

Celso Russomanno (PRB) declarou, em nota, que a greve foi resultado da falta de responsabilidade do governo estadual e da Prefeitura, que "não tomaram nenhuma atitude imediata para aliviar os transtornos à população enquanto as negociações prosseguiam".

Soninha (PPS), que na semana passada se envolveu em uma polêmica ao afirmar que a situação na cidade estava "sussa" após a colisão dos trens da Linha 3-Vermelha, evitou fazer muitos comentários na internet. Disse apenas que reprovava a ação da polícia e dos manifestantes nos tumultos ocorridos na zona leste da capital./ADRIANA FERRAZ, BEATRIZ BULLA, DAIENE CARDOSO, FELIPE FRAZÃO, JULIA DUAILIBI E NATALY COSTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.