SERGIO NEVES/AE
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Alckmin suspende por 1 ano extensão da Linha 2-Verde até Guarulhos

Com a medida, já são quatro linhas de transporte adiadas pelo governo estadual desde a reeleição do tucano, em 2014

Bruno Ribeiro e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

08 de janeiro de 2016 | 03h00

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) suspendeu, por pelo menos mais 12 meses, o início das obras para extensão da Linha 2-Verde até Guarulhos. O ramal hoje liga a Vila Madalena, na zona oeste, à Vila Prudente, na zona leste. O congelamento foi oficializado por aditivos contratuais publicados pelo Metrô no Diário Oficial do Estado do dia 31 de dezembro.

Com a medida, já são quatro linhas de transporte suspensas pelo governo estadual desde a reeleição de Alckmin, em 2014. Em todos os casos, o governo alega que, diante das incertezas da economia, preferiu dar prioridade para obras que já estão em execução. 

No caso da extensão da Linha 2-Verde, a emissão da ordem de serviço para o início das obras vinha sendo atrasada desde setembro de 2014, quando o governo terminou a licitação e assinou contratos com oito consórcios de construtoras diferentes – cada um para a execução de um lote da obra. O Estado tem autorização ambiental para construir 12,5 quilômetros de novas linhas de metrô, totalizando 12 novas estações e uma nova conexão com a Estação Vila Prudente, atual parada final da linha. Também há previsão de construção de pátio de manobras e de manutenção para os 35 trens que a linha deve ter.

Os demais ramais suspensos são os monotrilhos da Linha 15-Prata, também na zona leste, paralisado a partir de São Mateus, sem seguir para Cidade Tiradentes; da Linha 17-Ouro, na zona sul – que iria até o Morumbi, em uma das pontas, e até Jabaquara, na outra, mas agora só está prometido entre o Aeroporto de Congonhas e a Marginal do Pinheiros; e ainda a Linha 18-Bronze, monotrilho da capital até o ABC, que teve os contratos para as obras assinados em 2014 e, agora, está parado.

Impactos. A extensão da Linha 2-Verde fez parte de um projeto apresentado há 11 anos pelo governo de São Paulo, que definiu a chamada “rede essencial do Metrô”, com propostas para ramais que deveriam estar em operação total até o ano de 2020. Nenhuma das seis linhas previstas saiu do papel. O plano é citado no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e no Relatório de Impactos Ambientais (Rima) aprovado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que liberou as obra da Linha 2. 

Os estudos do Metrô, que tinham como base a Pesquisa Origem-Destino de 1997, previam que a cidade deveria ter, daqui a quatro anos, uma rede metroviária de 163 quilômetros. Atualmente, são 68,5 quilômetros – sem contar trechos em obras na Linha 5-Lilás, na zona sul, na 6-Laranja, na zona norte, e os monotrilhos das zonas sul e leste. 

“Há dois tipos de impactos que esses atrasos trazem”, diz o arquiteto e urbanista Flamínio Fichmann. “O primeiro é o aumento da superlotação. As pessoas têm demandado cada vez mais transporte de massa e a falta de ampliação da rede acaba criando pressão sobre o que já existe”, afirma. O segundo impacto, explica o consultor, é no planejamento do futuro da cidade. “O Plano Diretor de São Paulo, que foi aprovado em 2014 e já está valendo, prevê as zonas de estruturação urbana, que são locais onde os limites de verticalização são maiores do que o restante da cidade. São zonas criadas ao longo dos eixos de transporte”, explica Fichmann.

“Uma crítica ao Plano Diretor é que ele permite essa estruturação a partir da ordem de serviço para essas obras. Imagine o caso da Linha 5, na zona sul, que vem de Santo Amaro até a Chácara Klabin (ambas na zona sul). Essa obra vem sendo construída há 20 anos. Você acaba penalizando a população, uma vez que induz o crescimento para uma área que, dada a demora (na construção do metrô), fica sem estrutura de transporte público necessária”, conclui.

Repasses. Em nota, o Metrô relacionou a suspensão de obras na Linha 2-Verde aos cortes orçamentários feitos pela União para o ajuste fiscal. Parte do financiamento vinha de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Em decorrência do corte realizado pela União no segundo semestre de 2015, por meio do Plano de Ajuste Fiscal, de um financiamento de R$ 2,5 bilhões via BNDES previsto para a extensão da Linha 2-Verde, os 8 contratos da obra foram suspensos até dezembro de 2016”, diz a empresa estadual, em nota. 

O texto segue: “Priorizando a conclusão de empreendimentos já iniciados, o governo do Estado decidiu realocar os recursos de outro financiamento do BNDES destinado à Linha 2 (R$ 1,5 bilhão) para a conclusão de duas obras já em andamento: R$ 760 milhões para a Linha 5-Lilás (na zona sul) e R$ 740 milhões para a Linha 6-Laranja (feita por meio de uma Parceria Público-Privada)”. “A medida foi aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo em dezembro de 2015”, conclui o texto da nota.

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