Alckmin promete concluir '1ª fase' de transposição ao Cantareira em 2017

Alckmin promete concluir '1ª fase' de transposição ao Cantareira em 2017

Governador autorizou contratação de obra que vai transferir água do Paraíba do Sul para o manancial em crise, mas bombeamento no sentido contrário pode levar 3 anos

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2015 | 17h08

SÃO PAULO - Um ano e meio após o anúncio da obra, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), assinou nesta sexta-feira, 2, a autorização para contratação da transposição de água da Bacia do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira, apontada como fundamental para a recuperação do principal manancial paulista, que opera desde julho de 2014 no volume morto, a reserva profunda das represas.

A obra está orçada em R$ 555 milhões, valor 33% menor do que o previsto inicialmente (R$ 830 milhões) e deve ser concluída entre abril e outubro de 2017, segundo o tucano. O projeto prevê a transferência de 5,1 mil litros por segundo da Represa Jaguari, em Igaratá, que pertence à Bacia do Rio Paraíba do Sul, para a Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, que integra o Cantareira. Já o bombeamento no sentido contrário, anunciado como garantia para as regiões que dependem do Paraíba do Sul, só deve ficar disponível em três anos.

"É um fato histórico", disse Alckmin no seu discurso, após lembrar que na década de 1954, depois da última grande seca antes da atual, técnicos do governo paulista já haviam apontado a necessidade de captar água do Paraíba do Sul para atender a Grande São Paulo. "Com essa obra de interligação, nós mais do que dobramos a capacidade de reservação do Cantareira", afirmou o governador.

Formado por quatro represas, o Cantareira tem capacidade para armazenar 982 bilhões de litros, sem considerar o volume morto. Só a Represa Jaguari, do Paraíba do Sul, comporta 792 bilhões de litros, ou 1,2 trilhão de litros incluindo a reserva profunda. Mas os dois mananciais sofrem hoje com a pior estiagem em décadas. Nesta quarta-feira, o Jaguari está com apenas 19,2% da capacidade, enquanto que o Cantareira tem 16,5%, incluindo as reservas.

Os projetos básico, executivo e a obra serão executados pelo consórcio formado pelas empresas Serveng/Civilsan, Engeform e PB Construções. A obra prevê a construção dos 19 km de adutora, dos quais 6,1 km em túnel, e deve beneficiar cerca de 9,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo, segundo o governo.

Polêmica. A transposição causou polêmica logo que foi anunciada por Alckmin em março de 2014, quando ele disse que seria possível concluir a obra em 18 meses a partir daquela data, ou seja, neste ano. Isso porque a Bacia do Rio Paraíba do Sul, formada por quatro represas, é responsável por abastecer os municípios do Vale do Ribeira, em São Paulo, e mais de 10 milhões de pessoas na região metropolitana do Rio de Janeiro. Um acordo entre os Estados foi firmado no fim de 2014 no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o secretário paulista de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, a transposição do Paraíba estava prevista para 2020 no Plano da Macrometrópole Paulista, finalizado em 2013, e foi "antecipada" por causa da atual crise hídrica, "fruto de evento climático raro". "Estamos certos de que essa obra será entregue dentro do prazo", afirmou. 

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