Diogo Moreira/a2img/Governo de São Paulo
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Alckmin nega 'desmonte' na Polícia Civil e promete novos policiais

Governador apontou lei de aposentadoria compulsória como causa da defasagem de delegados e investigadores, além de rechaçar 'despejo' em Guarulhos

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

03 Março 2017 | 14h42

GUARULHOS - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), negou nesta sexta-feira, 3, que haja um desmonte da Polícia Civil do Estado, diante da defasagem do número de delegados e investigadores. De acordo com ele, 442 policiais recém-nomeados começarão a trabalhar em abril e uma lista foi pedida ao secretário estadual da Segurança Pública, Mágino Alves, para que mais concursados sejam chamados.

Levantamento do Sindicato dos Delegados do Estado de São Paulo (Sindpesp) divulgado pelo Estado aponta que, dos 645 municípios paulistas, 256 não têm delegado titular. O sindicato afirma que a Polícia Civil tem déficit de 9 mil cargos e passa por “sucateamento”.

O secretário adjunto da Segurança Pública, Sérgio Turra, reconheceu deficiências de pessoal, mas afirmou que o quadro não impede investigações. Ele também disse que nem todos os municípios precisam ter delegado titular. Onde houver maior necessidade, diz, o Estado suprirá com futuras nomeações.

Em agenda nesta sexta em Guarulhos, Alckmin e Turra apontaram a aposentadoria compulsória de policiais civis aos 65 anos como causa da saída em massa de profissionais. A regra foi aprovada pelo Congresso, sancionada pela então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014 e derrubada por outra proposta legislativa no ano seguinte.

Alckmin afirmou que a lei fez o Estado perder 1,7 mil policiais enquanto esteve vigente. “De jeito nenhum (há desmonte). Perdemos policiais porque o Congresso Nacional aprovou uma lei absurda há dois anos, quando a população está vivendo mais”, disse. Além das aposentadorias, outro fator apontado pelo governo estadual é o limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal para os gastos com salários. 

Guarulhos. O governador também negou que tenha havido “ordem de despejo”, ao responder sobre a saída de policiais na quinta da sede da delegacia seccional de Guarulhos, como o Estado mostrou. “A seccional não foi desalojada. A prefeitura pagava aluguel e aí resolveu extemporaneamente, sem avisar ninguém, parar de pagar. Estamos procurando novos prédios e vamos pagar o aluguel”, afirmou Alckmin.

O delegado seccional Adilson da Silva Aquino complementou dizendo que a gestão do ex-prefeito Sebastião Almeida (PT) pediu a desocupação do imóvel para cortar os gastos que a prefeitura tinha com o aluguel. Em Guarulhos, apenas o 1.º DP funciona em sede própria.

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