Paulo Liebert/Estadão
Paulo Liebert/Estadão

Alckmin nega acordo do governo com Marcola, chefe do PCC, em 2006

Na 1ª vez que falou sobre o assunto, governador diz que não houve negociação com a facção e que isso é uma 'coisa disparatada'

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

28 Julho 2015 | 13h59

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), negou nesta terça-feira, 28, que tenha havido acordo entre o Palácio dos Bandeirantes e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefe da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), para pôr fim a uma onda de ataques em 2006. Essa foi a primeira vez que o governador falou sobre o assunto.

"Eu não era, naquela época, governador do Estado de São Paulo. Mas São Paulo não tem acordo nenhum com crime nenhum", afirmou Alckmin. "Foram 800 presos e 100 mortos. Que acordo é esse? É uma coisa disparatada."

Com base em depoimento à Justiça, reportagem do Estado desta segunda-feira, 27, revelou que um delegado da Polícia Civil, representantes do então secretário estadual de Segurança Pública na época, Saulo de Castro Abreu Filho, e o ex-secretário da Administração Penitenciária Nagashi Furokawa fecharam um acordo com Marcola dentro do Presídio de Segurança Máxima de Presidente Bernardes, no interior paulista.

A pauta da reunião foi a rendição dos criminosos, desde que a integridade física deles e do líder fosse mantida. O encontro foi autorizado pelo ex-governador Claudio Lembo (ex-PFL). Ele substituiu Alckmin que havia renunciado ao cargo para concorrer à Presidência.

O Estado também mostrou que Marcola foi internado apenas uma vez após os ataques de maio de 2006 no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), mesmo sendo acusado de vários crimes graves durante o período.

O RDD foi criado pelo governo do Estado em 2002. No começo, a internação de um preso dependia só de uma decisão administrativa. Foi em dezembro de 2003 que a punição passou a ter de ser confirmada pela Justiça.

Segundo o governador, a reportagem está "errada". "Ela diz que o RDD é o governo que estabelece. Não é. O Regime Disciplinar Diferenciado é o poder Judiciário, ele diz se fica 30 dias, 60 dias, 30 dias", disse Alckmin.

Mais conteúdo sobre:
PCCGeraldo Alckmin

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.