Alckmin minimiza crítica de secretário sobre apuração de ação na cracolândia

Governador disse que investigação do MP é bem-vinda e ressaltou política no combate ao crack

Bruno Boghossian, estadão.com.br

11 de janeiro de 2012 | 16h28

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), reduziu o tom das críticas feitas por seu secretário de Segurança e agradeceu nesta quarta-feira, 11, o "apoio" do Ministério Público (MP) na ação de combate ao tráfico e ao consumo de drogas na cracolândia. Alckmin não respondeu às críticas feitas pelos promotores, que consideraram a operação "precipitada" e "aparentemente desastrosa".

O governador paulista, no entanto, rebateu em cheio a acusação do MP de que "não há nenhuma política de Estado" na ação e de que as autoridades só atacaram a questão do tráfico de drogas, não da dependência química. "(Dedicamos) todo o nosso empenho à solução desse problema grave, que é o problema dos dependentes químicos", afirmou Alckmin. "Nós não vamos deixar de cuidar dessas pessoas."

No dia anterior, o secretário de Segurança de Alckmin, Antonio Ferreira Pinto, bombardeou a investigação anunciada pelo MP, chamando a atuação dos promotores de "pirotécnica", "oportunista" e "de interesse dos traficantes". "O destino desse inquérito é o limbo dos arquivos", dissera o secretário.

Alckmin seguiu um caminho diverso. "O apoio do Ministério Público é super bem-vindo", disse. E destacou que a Prefeitura de São Paulo também tem responsabilidade na ação. "Essa é uma responsabilidade de todos: governo estadual, federal e municipal. A Prefeitura tem uma participação enorme nesse trabalho".

"Temos consciência de que será um trabalho longo, mas nós não vamos desistir", acrescentou. "A polícia ficará na região de forma permanente e o trabalho social não para - seja de apoio às famílias, seja através do tratamento de saúde das pessoas dependentes químicas."

O governador fez questão de destacar que a polícia já capturou "mais de 30 criminosos fugitivos" e prendeu "mais de 20 pessoas" na cracolândia. "Também estamos investigando laboratórios (de fabricação de crack)."

Alckmin também prometeu dobrar o número de leitos para tratamento no Estado. Foram anunciados acordos com o frei Hans Heinrich Stapel, fundador da Fazenda da Esperança, sediada em Guaratinguetá, dedicada ao tratamento de dependentes químicos. O governo dará os recursos financeiros para a criação de duas novas casas de tratamento no Estado.

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