Alckmin mantém presidente do Metrô

‘Temos de ser justos’, diz governador, alegando que condenação por improbidade de Peter Walker se deu por questão burocrática

Artur Rodrigues, O Estado de S. Paulo

16 Abril 2012 | 22h30

SÃO PAULO - Apesar da condenação por improbidade administrativa em primeira instância contra o presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), Peter Walker, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que ele será mantido no cargo. "Continua (sendo o indicado). Temos de ser justos com as pessoas", disse Alckmin na manhã desta segunda-feira, 16, durante um evento no Palácio dos Bandeirantes.

Segundo o governador, a condenação de Walker ocorreu por "uma questão exclusivamente burocrática, de legislação". Para defender o funcionário, o governador citou a Lei Ficha Limpa, criada para impedir políticos condenados de assumir cargos públicos. "A Lei Ficha Limpa é muito clara. Para se enquadrar, precisa ter dolo (intenção), prejuízo ao erário público ou enriquecimento (ilícito). Não tem nenhum. Não houve dolo, não houve prejuízo, não houve enriquecimento", afirmou Alckmin.

O governador ainda teceu elogios a Walker. "É uma pessoa extremamente qualificada. Era até o secretário adjunto dos Transportes, engenheiro com uma larga experiência e será um grande presidente do Metrô", disse.

De acordo com Alckmin, a escolha de quem vai chefiar a companhia nunca é uma decisão política. A indicação de Walker foi feita pelo atual secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. Ambos são de Campinas. Apesar de o nome de Walker já ter sido anunciado pelo governo, a nomeação oficial deve ocorrer somente após aprovação do Conselho Gestor da companhia.

Nesta tarde, a reportagem procurou Walker, por meio da assessoria de Imprensa do Metrô. O setor de Comunicação informou que ele não se manifestaria por não ter nada a "acrescentar do que já foi publicado em reportagens feitas pelo Estado".

Denúncia. A acusação de improbidade se refere ao período em que Walker esteve à frente da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa), empresa de Campinas responsável pelos serviços de água e esgoto, entre 1988 e 1996. O Ministério Público acusou Walker e outros 17 executivos de terem contratado servidores de forma irregular na época.

Em 2010, o juiz Mauro Iuji Fukumoto, da 1.ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, condenou Walker à perda de direitos políticos por três anos e, pelo mesmo período, ele foi proibido de manter contratos com o poder público. Além disso, a condenação prevê pagamento de multa equivalente a dez vezes seu salário como presidente da Sanasa. Como o recurso está em andamento, Walker não sofreu nenhuma das penalidades.

Ele assumirá o posto no lugar de José Kalil Neto, que também chegou a ser anunciado para a presidência, mas se tornou interino depois de o Estado revelar que ele já havia sido condenado em primeira instância por improbidade administrativa.

A condenação de Kalil Neto ocorreu em 2007, por causa da contratação irregular de escritório de advocacia quando era diretor da empresa Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa).

O escritório de advogados contratado por Kalil Neto é o mesmo que fez a defesa de Walker. Após a aprovação do nome de Walker, Kalil Neto deve reassumir a Diretoria de Finanças da Companhia do Metropolitano de São Paulo.

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