Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Alckmin lançará nova licitação para construir Linha 4 do Metrô

Consórcio que tocava todo o empreendimento reduziu o ritmo do trabalho nos últimos meses, alegando falta de projetos; Metrô nega

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

20 Março 2015 | 13h41

Atualizada às 14h48.

SÃO PAULO - Depois de meses praticamente paradas, as obras na Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo devem finalmente recomeçar. Informação divulgada nesta sexta-feira, 20, pelo governo do Estado dá conta de que a construção das Estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire será retomada até o fim do mês que vem. O restante da  linha, no trecho onde ficarão as paradas São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, ainda dependerá de uma nova licitação, a ser lançada em junho. Com isso, terá que ser rompida parte dos contratos atuais com o consórcio responsável pelas obras, o Isolux-Corsán-Corviam, da Espanha.


Em síntese, o consórcio encabeçado pela Isolux ficará responsável por apenas um dos dois lotes para os quais havia sido contratado em 2012. A porção das obras que terá prosseguimento a partir de abril corresponde ao lote um da segunda fase da Linha 4-Amarela, cujo primeiro trecho abriu em 2010. Já a construção de São Paulo-Morumbi e Vila Sônia integra o segundo lote.

Reportagem publicada pelo Estado em janeiro mostrou que os canteiros de todas essas estações estavam praticamente vazios, com funcionários aparecendo só para bater o cartão no ponto. Diversas empreiteiras subcontratadas pelo consórcio Isolux-Corsán-Corviam haviam abandonado o empreendimento a partir de outubro do ano passado, alegando atrasados nos pagamentos.

O consórcio informou na época que as obras estavam num ritmo mais lento porque o Metrô deixou de remeter no prazo projetos indispensáveis ao prosseguimento das atividades. O Metrô, por sua vez, negou e atribuiu a demora a dificuldades do próprio consórcio.

Após reuniões com representantes do Banco Mundial, um dos financiadores da obra, a Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos e o Isolux-Corsán-Corviam chegaram a entendimentos. Antes desses encontros, o governo Geraldo Alckmin (PSDB), que controla o Metrô, chegou a cogitar o descredenciamento total do consórcio, aventando até a possibilidade de criar um novo edital para o serviço.

Em nota distribuída à imprensa nesta sexta-feira, o Metrô informa que "as obras do lote um da segunda fase da construção da Linha 4-Amarela devem ser retomadas pelo consórcio até o fim do mês de abril". "Ainda pelo acordo", prossegue o texto, o consórcio atual "terá 12 meses para concluir as obras das Estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire, além do pátio e do terminal de ônibus de Vila Sônia".

Mas o contrato para a execução do lote dois da segunda fase das obras da Linha 4, que também estava a cargo da Isolux-Corsán-Corviam, "será rescindido pelo Metrô". Em decorrência  disso, o Metrô "fará uma nova licitação para a conclusão das Estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia". A construção dessas duas estações custará R$ 500 milhões. Esse valor corresponde à quase totalidade do preço que o consórcio Isolux-Corsán-Corviam havia cobrado do governo do Estado para entregar todas as quatro estações da segunda fase da Linha 4-Amarela.

Atrasos. As Estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire seriam as duas únicas entregues em todo o sistema metroviário paulistano em 2015. Elas já foram prometidas para 2013. Agora, elas só devem ser inauguradas no ano que vem. A Estação São Paulo-Morumbi só deve ser aberta ao público no segundo semestre de 2017 e a Vila Sônia, em 2018.

A assinatura dos contratos para a construção da segunda fase ocorreu no início de 2012 -- as obras nas quatro estações que compõem o escopo desses contratos se iniciaram em abril daquele ano. Os contratos, na época, custaram R$ 560 milhões. O Metrô não informou se o consórcio terá que pagar algum tipo de multa.

As obras na Linha 4-Amarela do Metrô, que, quando concluída, terá 11 estações e 12,8 km de comprimento, começaram em 2004.

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