JF Diório/Estadão
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Alckmin fará plano de contingência para caso de decreto de rodízio

Ao lado do governador, Haddad afirma que medidas devem ser anunciadas em 30 dias; ação foi demanda do comitê da crise

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2015 | 13h21

Atualizada às 20h37
SÃO PAULO - Pressionado pelos prefeitos da região metropolitana de São Paulo que fazem parte do “comitê da crise hídrica”, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou nesta sexta-feira, 13, a instalação de um comitê executivo para elaborar, em 30 dias, um plano de contingência, caso seja acionado o rodízio de água no Estado. 
Depois de negar durante toda a campanha eleitoral do ano passado que seria necessário adotar a medida, o tucano recuou em definitivo nesta sexta. “Não se pode dizer que não vai ter rodízio. Essa é uma questão que avaliamos permanentemente, mas estamos otimistas”, disse. 
O grupo responsável pela elaboração do plano será capitaneado por Benedito Braga, secretário de Recursos Hídricos do Estado. A ideia é mapear equipamentos públicos municipais e estaduais para garantir o abastecimento em locais como escolas, hospitais e quartéis do Corpo de Bombeiros. 

O comitê também vai indicar ações que as prefeituras podem adotar para reduzir o consumo de água. No caso da capital paulista, por exemplo, a Câmara Municipal aprovou, em primeira votação, a multa para quem lavar a calçada.
“Embora a gente trabalhe 24 horas para evitar, teremos um plano de contingência. No caso de um rodízio, teremos tudo preparado e mapeado como medida de segurança”, disse o governador, que apareceu de surpresa na reunião. 
Cerca de 50 pessoas participaram do encontro nesta sexta, entre elas, o prefeito Fernando Haddad (PT), que articulou a criação do comitê da crise. Também foram os prefeitos de Mogi das Cruzes, Itapecerica, Campinas, Osasco e Franco da Rocha. 
O prefeito de Campinas, Jonas Donizete (PSB), que é aliado de Alckmin, não havia participado da instalação do grupo, no dia 28 de janeiro, mas esteve na reunião de sexta. Também participaram representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), da Embrapa e de ONGs. 
“Pior cenário”. Durante entrevista depois do encontro, Haddad sentou-se ao lado de Alckmin e atuou como o porta-voz dos prefeitos. 
Segundo ele, os prefeitos da região metropolitana de São Paulo fizeram três reivindicações ao governador, e todas teriam sido atendidas: a instalação do comitê, a elaboração de um plano de contingência e um plano de comunicação para que a população saiba dia a dia o que está acontecendo. 
O prefeito fez questão de assinalar que considera “remota” a possibilidade de rodízio. “O pior cenário apresentado hoje (sexta-feira) afasta a possibilidade de rodízio. Ainda assim, faremos um plano de contingência esperando não usá-lo, por garantia”, disse o petista.
Mobilização. O secretário Benedito Braga conclamou a população a continuar “firmemente mobilizada” na redução do consumo. “É muito importante que a população entenda a gravidade do momento. Estamos vivendo uma época de incertezas climáticas”, afirmou. 
Apesar do alerta, ele se mostrou otimista com o cenário dos próximos meses. “Com a mobilização e as obras que estão planejadas teremos uma possibilidade maior de passar razoavelmente bem ao longo deste ano.” Ainda segundo o secretário, o “gatilho”, ou seja, o nível mínimo de segurança do Sistema Cantareira, revelado pelo Estado no domingo, não está definido. “Vamos estudar, no plano de contingência, que tipo de ‘medida restritiva’ será feita. Seja qual for, serão fornecidas todas as informações, com a mais absoluta transparência”, disse Braga. 

Confira as principais medidas
Quem faz parte do comitê: Cerca de 50 pessoas participaram do encontro nesta sexta na capital paulista, incluindo o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que articulou a primeira reunião, e os prefeitos de Mogi das Cruzes, Itapecerica, Campinas, Osasco e Franco da Rocha. O prefeito de Campinas, Jonas Donizete (PSB), por exemplo, que é aliado de Alckmin, não havia participado da instalação do grupo, no dia 28 de janeiro.
O que ficou decidido:
1. Fazer um mapeamento da malha de equipamentos públicos estaduais e municipais para garantir o abastecimento de água em locais prioritários, incluindo hospitais, escolas e bombeiros.
2. Indicar quais ações as prefeituras podem adotar para reduzir o consumo de água. 
3. Elaborar um plano de comunicação para manter a população informada. 
4. Acompanhar semanalmente a situação do sistema. 
Prazo para ações: Um relatório será apresentado pelo grupo de gestão da crise dentro de 30 dias. 

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