Alckmin envia equipe para dialogar com o Rio e descarta racionamento de água

Tucano disse ainda que obra para interligar represas ampliaria armazenagem em tempo de seca

Caio do Valle e José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

27 Março 2014 | 11h57

Atualizada às 20h51

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou nesta quinta-feira, 27, que equipes técnicas de São Paulo e do Rio devem encontrar-se na próxima semana para discutir a questão do abastecimento de água nos dois Estados. O volume armazenado no Sistema Cantareira, que serve a Região Metropolitana de São Paulo, atingiu ontem 14% da capacidade, o menor nível da história. Ainda assim, Alckmin voltou a descartar a possibilidade de racionamento.

Nos últimos dias, o governador paulista e seu colega fluminense, Sérgio Cabral (PMDB), chegaram a trocar farpas quanto à intenção de São Paulo de utilizar uma parte da água do sistema do Rio Paraíba do Sul para ajudar a recompor o Cantareira. Cabral disse que "jamais permitirá que se retire água que abastece o povo fluminense" e ameaçou acionar a Justiça para barrar o plano.

Nesta quinta-feira, o governador paulista reiterou que o projeto de interligação de 15 km entre as Represas Atibainha, no Sistema Cantareira, e Jaguari, que pertence ao Paraíba, é de mão dupla – favorecendo um dos lados só em caso de crise. "Até já levantamos os dados: em 2010, em 2011 e um pouco em 2012, no Cantareira sobrou água, porque a capacidade de reserva não é tão grande. Por isso, quando chove demais, solta (a água), e quando tem estiagem, abaixa rápido. Então, quando chove demais nós precisamos guardar e a maneira de guardar é integrar, fazer essa interligação com o Capivari", declarou o tucano durante evento no Anhembi, na zona norte da capital paulista. Ele ainda reiterou que não haverá racionamento. "Não tem nada, nada previsto."

Precipitação. O nível do Sistema Cantareira chegou a 14% nesta quinta-feira, um novo recorde em 40 anos, mesmo tendo chovido no mês 181,6 milímetros na área dos reservatórios. A quantidade de chuva está muito próxima da média histórica de março, de 184,1 milímetros.

De acordo com o secretário de Recursos Hídricos do Estado, Edson Giriboni, como o sistema continua cedendo quase 27,9 mil metros cúbicos por segundo para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo, a recuperação do nível torna-se lenta. "É necessário que chova mais nas cabeceiras dos rios que formam o sistema, pois essa é a vazão que tem peso."

Giriboni afirmou ontem que só será possível usar o volume morto – a água do fundo dos reservatórios – em maio, pois é preciso concluir um conjunto de obras. "Acredito que ainda são necessários pelo menos 40 dias para deixar tudo pronto."

Pelas suas contas, o Cantareira ainda tem em torno de 140 milhões de metros cúbicos disponíveis, e o volume morto é de outros 200 milhões de m³. Essa reserva só será usada em caso de necessidade extrema, o que, segundo ele, ainda não ocorre. "O volume que está sendo liberado é suficiente para manter o abastecimento, sem necessidade de rodízio, apenas com uma boa gestão da água."

Opções. O secretário lembrou que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está usando a água dos Sistemas Alto Tietê e Guarapiranga para atender uma parte da população abastecida pelo Cantareira. "E a Sabesp ainda trabalha para buscar água em outros mananciais para aumentar a oferta até o fim deste ano, ou pelo menos até o início do ano hidrológico, em outubro."

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