Alckmin e Haddad anunciam grupo para realizar ações conjuntas em SP

Primeira medida articulada é o escalonamento dos reajustes de tarifas do transporte público

GUSTAVO PORTO, Agência Estado

22 Janeiro 2013 | 13h45

SÃO PAULO - Em clima amistoso e repetindo várias vezes a palavra "parceria", o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito da capital, Fernando Haddad (PT), anunciaram nesta terça-feira a criação de um grupo de trabalho permanente entre as duas administrações para realizar ações conjuntas entre as esferas de governo. E um dos beneficiários dessa parceria entre gestores de partidos adversários será justamente o governo federal, pois Estado e Prefeitura farão reajustes escalonados nas tarifas dos transportes públicos, de forma a não pressionar os índices de inflação. O pedido para que isso fosse feito partiu da própria administração da presidente Dilma Rousseff.

No encontro realizado entre as duas administrações, no Palácio dos Bandeirantes, o secretário de Transportes Metropolitanos do governo de São Paulo, Jurandir Fernandes, confirmou que houve entendimento de que o reajuste (das tarifas) seria diluído justamente para não impactar nos índices inflacionários.

Ficou definido que este grupo de trabalho terá reuniões periódicas e será coordenado pelo secretário Estadual da Casa Civil, Edson Aparecido, e pelo secretário municipal de Governo, Antônio Donato. As primeiras medidas já foram anunciadas, como o investimento de R$ 45 milhões na construção de 20 creches, além das 42 já acordadas no convênio anterior entre Estado e Prefeitura. Segundo o governador Geraldo Alckmin, os secretários de Educação do Estado e município irão ainda procurar outras áreas para a ampliação do programa.

O governo autorizou ainda a construção de 2.230 unidades habitacionais na cidade de São Paulo por meio de uma parceria público privado (PPP) com valor estimado em R$ 140 milhões, no qual serão envolvidas, além da iniciativa privada, os governos Federal, Estadual e Municipal. De acordo com Haddad, a Prefeitura vai subsidiar em R$ 20 mil cada unidade e recursos públicos virão ainda do programa Minha Casa, Minha Vida e do governo paulista, pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). As unidades, de acordo com prefeito de São Paulo, terão a parte térrea destinada a exploração comercial, que ficará a cargo do setor privado envolvido na PPP.

Outro convênio anunciado prevê a implantação do corredor metropolitano, o chamado perimetral leste, que une a região do ABC, Guarulhos e São Paulo, por R$ 137,5 milhões. As obras devem ser iniciadas em dezembro e finalizadas um ano depois.

Haddad anunciou ainda a cessão de um terreno na avenida Luiz Inácio de Anhaia Melo para a construção de um piscinão coberto pelo departamento de águas e energia elétrica, do governo Estadual.

Alckmin e Haddad anunciaram também os estudos para ampliar o raio de ação da chamada operação delegada para além da região central de São Paulo. De acordo com os dois, os estudos para essa ampliação, envolvendo a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana ainda serão feitos pelas secretarias de Segurança.

Indagado pela Agência Estado se os dois governos não criaram um grupo de trabalho para lidar com as questões políticas, já que ambos pertencem a partidos rivais, o governador Geraldo Alckmin brincou: "Isso ficará a cargo dos secretários Edson (Aparecido) e (Antônio) Donato, que farão o meio de campo".

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