Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Alckmin diz ser 'ótimo' MP incluir áudios da Sabesp em inquérito

Ministério Público investiga responsabilidade do governo na crise hídrica; "Nossa regra é transparência absoluta", diz governador

Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 13h34

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (PDSB) afirmou neste domingo, 26, considerar “ótimo” o fato de o Ministério Público Estadual ter incluído no inquérito que apura a responsabilidade dele na crise hídrica os áudios vazados da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp).

“Ótimo”, afirmou Alckmin. “A nossa regra é transparência absoluta”, disse o governador depois de votar no colégio Santo Américo, na zona sul de São Paulo. Ele voltou a negar que há racionamento na cidade. Nas gravações, a presidente do órgão, Dilma Pena, diz que recebeu “orientações superiores” para barrar alertas sobre a falta de água. Em outro áudio, o diretor metropolitano, Paulo Massato, diz aos que participavam de uma reunião da companhia que eles deveriam tomar banho com “água mineral”. 

A investigação foi iniciada com base em uma representação feita em abril pela bancada do PT na Assembleia Legislativa (Alesp). Em setembro, o procurador da MPE Sérgio Neves Coelho, integrante do Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça, também pediu ao procurador-geral de Justiça, Márcio Elias Rosa, que instaurasse um inquérito civil para “apurar a responsabilidade” de Alckmin e “omissão nas providências para preservar o abastecimento de água”.

Os áudios foram divulgados na sexta-feira, 24. Partidos de oposição na Assembleia Legislativa entrarem com representações na Casa e no MPE. A bancada do PT, por exemplo, pede que o órgão investigue Alckmin por improbidade administrativa.

Já o deputado Carlos Giannazi (PSOL)pede o impeachment do governador na assembleia. No Ministério Público, ele quer a perda do mandado de Alckmin e que a presidente da Sabesp, Dilma Pena, seja investigada por prevaricação. O governo disse que “sempre que solicitado pelas autoridades competentes, entre elas o MPE, tem prestado as informações, e assim continuará atuando”. 

A chuva do fim de semana não foi suficiente para elevar o nível do Sistema Cantareira, que neste domingo estava com 13,2% da capacidade. Na sexta-feira a Sabesp incorporou a segunda cota do volume morto ao reservatório, aumentando de 3% para 13,6% o nível.

Mesmo com 5,3 milímetros de precipitação sobre a região anteontem, o volume armazenado manteve a série de quedas da semana, indo de 13,4% no sábado para 13,2%.A média histórica de chuva do mês de outubro é de 130,8 mm, mas a pluviometria acumulada é de apenas 30,6mm. Desse total, 23,9mm foram de chuvas ocorridas apenas no dia 20 de outubro. Mesmo assim, o volume armazenado do dia 20 para o dia 21 caiu de 3,5% para 3,3%, e chegou a apenas 3% na quinta.

Ao chegar ao local onde vota, Alckmin foi cercado por jornalistas que tentavam perguntar sobre as eleições e também sobre a falta de água. O repórter do programa CQC, da Rede Bandeirantes, trocou empurrões com um dos seguranças. Ele tentava perguntar sobre a crise hídrica quando foi empurrado por outro segurança. Irritado, o repórter partiu para cima dele, mas foi apartado. Alckmin votou ao lado vice na chapa de Aécio Neves, Aloysio Nunes, do senador eleito, José Serra, e do deputado José Aníbal./COLABORARAM RAFAEL ITALIANI e STÉFANO MARIOTTO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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