Alckmin diz que tem 'tolerância zero' com policiais envolvidos em execuções

Declaração foi feita após agentes suspeitos de mortes em Osasco e Carapicuíba terem sido presos; investigações apontam para mais mortes em Guarulhos

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2013 | 13h11

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou nesta quarta-feira, 24, que tem "tolerância zero" com policiais militares que possam ter participados de execuções na Grande São Paulo. Dois PMs foram presos por suspeita de participar de execuções em Osasco e Carapicuíba na quarta-feira passada, 17. Essas ataques deixaram quatro pessoas mortas e sete feridas.

"Os dois policias vão responder ao processo administrativo. Se ficar comprovado o envolvimento, eles serão expulsos da polícia e vão responder processos civil e criminal. Essa é a orientação", afirmou Alckmin, complementando que em seu governo "não há nenhuma tolerância com desvio de conduta".

Questionado se o seu governo tem conhecimento de algum grupo de extermínio dentro da Polícia Militar, o tucano declarou que não. "O que nós temos é uma corregedoria, que é a maior do País, e que está permanentemente trabalhando." O dirigente disse ainda que a Corregedoria da PM apura desvios de conduta da corporação, que tem 96 mil agentes, e que, em caso de irregularidades, "a punição é rigorosa".

Alckmin afirmou ainda, durante evento em Jundiaí, no interior paulista, que a expulsão de PMs envolvidos em crimes é rápida. "Antes demorava anos e anos para você concluir o processo e tirar o mau policial. Agora, a gente faz isso em meses."

Guarulhos. Reportagem publicada pelo Estado nesta quarta-feira, 24, mostra que PMs também podem estar envolvidos em execuções em Guarulhos, na Grande São Paulo. Agentes da corporação são os principais suspeitos de ter matado 35 pessoas e ferido outras 17 na cidade desde junho. A onda de crimes na cidade da Grande São Paulo começou no auge dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra a polícia.

Segundo investigações da Polícia Civil, homens do 31.º e do 44.º Batalhões da PM se uniram em uma vingança que atingiu criminosos, frequentadores de pontos de venda de drogas, vizinhos de bandidos e mesmo quem, por acidente, estava na hora e no lugar errados. Nem mesmo crianças escaparam.

A atuação do grupo responderia por 23 execuções do dia 23 de junho até agora. Nesses crimes, morreram 21% das vítimas de assassinatos da cidade.

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