Alckmin diz que ordem da PM poderia descrever suspeito 'loiro' ou 'asiático'

Comandante da polícia em Campinas determinou que agentes abordassem jovens de 'cor parda e negra'; medida causou polêmica

Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2013 | 13h55

Um comandante da Polícia Militar em Campinas (SP) determinou, em uma ordem assinada em dezembro do ano passado, que seus agentes abordassem jovens de "cor parda e negra" em rondas na região de Taquaral. A medida, divulgada ontem pelo jornal Diário de S.Paulo, provocou polêmica, devido à discriminação da cor das pessoas suspeitas de assaltos naquela área. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) se manifestou sobre o assunto nesta quinta-feira, 24.

Para ele, o caso não indica racismo, por se tratar apenas da caracterização física de um grupo específico de supostos criminosos e que, se fosse o caso, ela poderia indicar um suspeito "loiro" ou "asiático".

"O que houve foi um assalto ocorrido num bairro. Você tem um suspeito feito pelas características. É como se dizer: 'Olha, teve um assalto aqui e o suspeito é um loiro, uma pessoa loira, ou o suspeito é uma pessoa japonesa, asiático'. Enfim, o suspeito era uma pessoa de cor parda", afirmou Alckmin. "Mas (esse foi) um caso específico, onde havia um suspeito. Não há nenhuma forma de discriminação", ressaltou o governador, acrescentando que se fosse constatado preconceito, "a punição seria rigorosíssima".

Mas representantes de entidades de direitos humanos, como a Educafro, enxergam discriminação na medida. A entidade entregou ontem à Secretaria da Segurança Pública uma carta em que cobra explicações sobre a ordem emitida pelo capitão Ubiratan Beneducci, comandante da 2ª Companhia do 8º Batalhão da PM em Campinas.

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