Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Alckmin diz que obras contra a crise hídrica vão custar R$ 3,5 bi

Governador de São Paulo afirmou que espera que o governo federal contribua com 'o máximo que puder'

Ricardo Della Coletta e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2014 | 17h46

Atualizada às 22h57

BRASÍLIA - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), apresentou nesta segunda-feira, 10, à presidente Dilma Rousseff um conjunto de obras cujos investimentos totalizam R$ 3,5 bilhões para enfrentar a crise hídrica, mas saiu do Palácio do Planalto sem nenhuma garantia concreta do governo federal. Alckmin voltou a dizer que o Estado não passa por racionamento e não há risco de desabastecimento. 

O tom de Alckmin, que procurou minimizar a situação, foi contrastado pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que afirmou que o Palácio do Planalto está “muito preocupado” com o abastecimento de água. Miriam também criticou o Palácio dos Bandeirantes por não apresentar “nada que se refere a obras mais estruturantes de longo prazo”.


Durante uma hora de reunião, Alckmin e Dilma discutiram oito obras: a interligação dos reservatórios Atibainha e Jaguari; dois novos reservatórios em Campinas e adução dessas estruturas; Estações de Produção de Água de Reúso (EPAR) para reforço dos Sistemas Guarapiranga e Baixo Cotia; interligação do Rio Jaguari com o Atibaia; interligação do Rio Pequeno com a Represa Billings; e perfuração de poços artesianos na região do Aquífero Guarani.

Foi acertada na reunião a criação de um grupo de trabalho para aprofundar a discussão em torno das obras. O primeiro encontro foi marcado para segunda-feira, no Ministério do Planejamento. Não se discutiu no encontro o montante de recursos que a União se comprometeria a financiar, tema que será tratado nesse encontro. Alckmin disse esperar que o governo federal contribua com o “máximo que puder” na construção das obras, via orçamento da União ou financiamento.

Sem racionamento. Na avaliação do governador, enfrenta-se a maior seca dos últimos 84 anos com “planejamento” e “uso racional da água”. “São Paulo não tem racionamento, o abastecimento está garantido, e estará garantido em novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, primeiro semestre, segundo semestre”, disse. 

De acordo com Alckmin, há obras que já podem ficar prontas no ano que vem, como as EPARs, e outras que levam até três anos para serem concluídas, no caso das barragens. O governador classificou essas obras como “estruturantes” e citou projetos já em andamento para minimizar os efeitos da crise hídrica no curto prazo. “Vamos entregar neste mês de novembro mais 1 metro cúbico por segundo no Guarapiranga. São 300 mil pessoas que saem do Cantareira”, afirmou.

O tucano - que ainda apresentou à presidente o projeto do trem intercidades, que ligará Americana, no interior, a Santos, no litoral paulista - também negou que haja uma “mudança de posição” na relação do Estado com o governo federal, após uma eleição marcada pela troca de acusações entre PSDB e PT pela crise hídrica. “É nosso dever, em uma república federativa, trabalharmos juntos, sermos parceiros”, afirmou.

Críticas. Embora Dilma não tenha retomado críticas, o mesmo não aconteceu com os ministros. “A presidente viu com bons olhos o conjunto apresentado”, afirmou Miriam Belchior. “Mas essas obras (apresentadas por Alckmin) são mais de curto e médio prazo. Essa proposta não apresentou nada que se refere a obras mais estruturantes de longo prazo”, criticou a ministra. De acordo com ela, Dilma pediu na reunião uma resposta a longo prazo para a situação.

Já para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a situação em São Paulo é “crítica” e “preocupante”.

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