ALEX SILVA/ESTADAO
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Alckmin diz que obra em rio sem água para captação 'está funcionando'

Após Estado revelar que as bombas foram desligadas, governador disse que 'transpõe menos' água do que o previsto do Rio Guaió para o Sistema Alto Tietê por causa da seca na região

Luiz Fernando Toledo e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2015 | 16h58

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta segunda-feira, 17, que a transposição do Rio Guaió para o Sistema Alto Tietê "está funcionando" embora a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) tenha admitido que "não tem água para retirar do rio". A obra foi inaugurada pelo tucano há cerca de 50 dias para “garantir o abastecimento hídrico durante o período seco” e socorrer o manancial, mas na última sexta-feira, 14, o Estado constatou que as bombas estavam desligadas por causa do baixo nível do rio.

"Nós fizemos uma interligação ligando o Rio Guaió com a Represa de Taiaçupeba. Foi feito, está funcionando. Tem bombas, tubulações, funciona há 50 dias. Quero reafirmar que, em média, dá para transpor do Guaió para a represa de Taiaçupeba um metro cúbico (mil litros) por segundo. Quando chover bastante, vai passar de um metro cúbico por segundo. É importante porque você melhora a reservação do Taiaçupeba. Enche a represa mais depressa", disse Alckmin.

Nesta segunda-feira, o Estado revelou que quase 50 dias após a inauguração da obra na qual a Sabesp gastou R$ 28,9 milhões para transpor 1 mil l/s para a Represa Taiaçupeba, em Suzano, onde fica a estação de tratamento do Alto Tietê, a operação estava paralisada porque o rio secou. No dia 29 de junho, quando acionou as bombas durante um evento para a imprensa, Alckmin disse que a obra iria "beneficiar mais de 300 mil moradores” da Grande São Paulo.

Agora, o governador afirma que a transferência de água do Guaió para o Alto Tietê depende de vazão afluente do rio. "Quando vem o final da seca como é o mês de agosto, estamos em plena seca do final do inverno, é claro que reduz a afluência de água. Então, você passa menos água, mas a obra está funcionando há 50 dias. Agora, é natural, se chover a semana que vem, vai transpor bastante. Se for 20 dias seco, você transpõe menos. É natural, a afluência cai não só no Tietê, cai também no Guaió", afirmou. 

Em junho, Alckmin disse que estava “entregando a primeira das três obras importantíssimas para garantir o abastecimento hídrico durante o período seco”, que vai de abril a setembro. As outras duas são a ampliação da capacidade de produção do Sistema Guarapiranga em 1 mil l/s, inaugurada em 20 de julho, mas também em “pré-operação”, e a transposição de 4 mil l/s da Billings para a Taiaçupeba, que está três meses atrasada e só deve entrar em operação em outubro, segundo a Sabesp.

"A boa notícia é que em setembro nós vamos ter quatro metros cúbicos por segundo ( 4 mil l/s) do Rio Grande (braço da Billings) indo também para o Alto Tietê. Tudo que estava programado está sendo cumprido. Mesmo com uma seca, é impressionante. A média do mês de agosto era em torno de 40 milímetros de pluviometria, seja no Alto Tietê, Guarapiranga, Cantareira. Nós já estamos no dia 17 e choveu um milímetro. Praticamente já passou a metade do mês e não choveu nada nessas três semanas. Mesmo assim está garantido o abastecimento e a população tem nos ajudado através do uso racional de água", disse Alckmin.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, a Sabesp informou que "houve uma manutenção nas bombas de captação" do Guaió na última sexta-feira, 14, e que "o sistema já opera normalmente". Segundo a companhia, nesta segunda, estão sendo retirados do rio 350 litros por segundo, ou seja, 35% do que foi anunciado. O Estado havia solicitado essa informação à empresa na semana passada, mas não obteve resposta.  

Na última quinta-feira, durante uma apresentação sobre as obras emergenciais da Sabesp para o Comitê da Bacia do Alto Tietê, o superintendente de Produção da companhia, Marco Antônio Lopez Barros, disse que “não há água para retirar do rio” e que a transposição está em fase de "pré-operação".

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