Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Alckmin diz que não tem previsão para uso de 3º volume morto

Governador afirma que, por ora, não pretende utilizar a 3ª cota da reserva técnica do Cantareira; vazão deve ser novamente reduzida

Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2015 | 13h19

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta quarta-feira, 21, que não há uma previsão de uso da terceira e última reserva técnica do Sistema Cantareira, o principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. "Não tem nenhuma previsão e não pretendemos utilizá-la por enquanto", disse o governador a jornalistas, após inaugurar uma unidade do Poupa Tempo em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

Nesta quarta-feira, o Cantareira está com 5,5% de sua capacidade antes de entrar no chamado terceiro volume morto.

O governador esclareceu que, embora não haja previsão, se for necessário, poderá usar a terceira cota do volume morto.

Alckmin afirmou também que a hipótese de decretar um racionamento oficial de água no Estado, com cortes no fornecimento em vez de apenas redução da pressão, como é feito hoje, não está em discussão. "Isso não está cogitado, não está em discussão." 

O governador paulista voltou a reforçar a mensagem de que a crise hídrica no Estado se deve a um fator climático extremamente raro. Como em outras coletivas, trouxe planilhas para mostrar aos jornalistas o nível de pluviometria sobre os reservatórios.

"A média histórica no Cantareira para o mês de janeiro é de 271 milímetros (de chuva). Tivemos até hoje, dia 21, apenas 60 milímetros. No Alto Tietê, a média histórica para janeiro é 251 milímetros e estamos com 32. Esse calor e nada de chuva, é impressionante", afirmou Alckmin.

Além das obras de interligação com as Represas de Atibainha e São Lourenço do Sul, que já foram anunciadas, o governador informou que está em estudo pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e pelo governo estadual ampliar a vazão da Represa Billings para o sistema interligado de fornecimento de água da Grande São Paulo. 

Desde o ano passado, a Billings aumentou o volume de água transferido para o Sistema Guarapiranga, na zona sul de São Paulo, através do braço chamado Taquacetuba. Com esse braço, segundo o governador, cresceu a vazão do Guarapiranga em 4 metros cúbicos por segundo, de 11 m³/s para 15 m³/s.

Alckmin explicou que está sendo estudado ampliar em mais um metro cúbico por segundo a vazão para o Guarapiranga e a construção de um braço que permita à Billings atender também o Sistema Alto Tietê, o segundo mais afetado pela estiagem, aumentando a vazão em 4 m³/s. O governador disse que são medidas em estudo avançado, mas preferiu não comentar o valor das obras e prazos.

A intenção do governo do Estado é aumentar o fornecimento de água a partir dos outros sistemas para poupar o Cantareira, que é o manancial mais prejudicado pela crise hídrica. A retirada de água do Cantareira, como determinado pela Agência Nacional de Águas (ANA), já foi reduzida de 33 m³/s para 17 m³/s. O governador disse que a intenção é reduzir ainda mais esse volume, para 13 m³/s, "nos próximos meses".

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