GABRIELA BILO / ESTADÃO
GABRIELA BILO / ESTADÃO

Alckmin diz que há 'vandalismo seletivo' em protestos

Ele afirmou "estranhar" o fato de ninguém ter protestado contra o governo federal pelo o aumento da conta de luz, nem pela alta da inflação

Ricardo Chapola; Ana Fernandes, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2016 | 12h50

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta quinta-feira, 14, haver “vandalismo seletivo” ao comentar as manifestações do Movimento Passe Livre (MPL) contra o reajuste das tarifas de ônibus, trens e metrô. Ele afirmou “estranhar” o fato de ninguém ter protestado contra o governo federal pelo aumento da conta de luz nem pela alta da inflação. Os ativistas negam e afirmam que o aumento da passagem afeta a população da região metropolitana de São Paulo.

“Manifestação legítima, pacífica, não tem problema nenhum. Outra coisa é vandalismo seletivo”, disse Alckmin após participar de um evento com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital. “Não teve manifestação quando a inflação passou de 10%. O reajuste da tarifa é de 2% abaixo da inflação”, afirmou o governador.

A tarifa subiu de R$ 3,50 para R$ 3,80 no sábado passado – alta de 8,57%, enquanto a inflação acumulada, segundo o IPC-Fipe, foi de 10,49%.

Para ele, é “estranho” ninguém ter se manifestado também contra o aumento da conta de luz. “Estranho, porque não teve nenhuma manifestação quando a energia elétrica subiu 70%. Vandalismo seletivo, não”, afirmou, destacando que a população paulista sabe diferenciar manifestações legítimas de atos de vandalismo.

Alckmin criticou ainda a postura dos organizadores dos protestos, que deixaram de comparecer a uma reunião marcada com o governo e a Prefeitura para definir o roteiro do ato desta quinta – o MPL divulgou o trajeto das manifestações duas horas antes do início. “Alguns não querem manifestação. Querem confronto com a polícia para aparecer na mídia”, disse o governador. “Aí, você faz uma reunião com disposição de ajudar e ninguém comparece. Não é esse o objetivo.”

O governador afirmou que a Polícia Militar é preparada e vai continuar atuando para evitar a destruição de patrimônio público e privado e também preservar a vida das pessoas. “A PM tem a obrigação de garantir o direito de ir e vir das pessoas. Quem vai mascarado, se esconde, leva coquetel molotov, não é por liberdade de expressão”, afirmou. 

Porta-voz do MPL, Vitor de Oliveira negou que os protestos sejam “seletivos” e disse que a alta da tarifa atinge toda a população da Grande São Paulo. “O vandalismo é da PM que ele gerencia, que também é seletiva contra o povo negro e da periferia. Gostaria de saber se o governador tem andado de trem e metrô para saber a qualidade do transporte público”, disse.

Investigação. Na quarta, o secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, disse que o MPL acoberta os mascarados que participam dos atos e depredem o patrimônio público e privado. Na sexta-feira passada, black blocs deixaram um rastro de destruição no centro da cidade durante a primeira manifestação contra o aumento da tarifa do transporte público. Nesta quinta, foi realizado o terceiro ato, sem registro de confrontos até as 21 horas.

Ainda segundo Moraes, os mascarados que foram detidos nas manifestações por atacar ônibus, agências bancárias e prédios públicos serão indiciados pela Polícia Civil por organização criminosa.

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