Alckmin diz que Eletropaulo descumpriu acordo

Segundo governador, empresa assumiu compromisso de agregar 400 megawatts de energia até 2007, mas até agora ''não agregou 1 megawatt''

Márcio Pinho e Renato Machado, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2011 | 00h00

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), voltou a criticar ontem a concessionária AES Eletropaulo por deixar bairros da Grande São Paulo sem energia por mais de dois dias. Ele determinou à Procuradoria Geral do Estado que analise possíveis medidas, o que pode levar a questão para a Justiça.

No total, 600 mil unidades consumidoras foram afetadas pelo apagão que começou com a tempestade e os ventos de terça. Segundo Alckmin, não foram cumpridas obrigações de contrato. "Ela (Eletropaulo) tinha 10 anos para agregar 400 megawatts de energia, e isso venceu em 2007. Nós estamos em 2011 e não agregou nenhum megawatt", disse. Essa energia poderia alimentar mais 250 mil unidades consumidoras.

A queixa do governador é, na verdade, contra a AES Tietê, geradora de energia que pertence ao grupo AES Brasil, assim como a AES Eletropaulo, que faz a distribuição. A AES Brasil afirma que trabalha para aumentar o fornecimento e vem investindo em um projeto de termelétrica em Canas (SP), para 2016.

Sobre o atraso no contrato cobrado por Alckmin, o presidente da companhia, Britaldo Soares, afirma que várias questões devem ser analisadas. Uma delas é a mudança do modelo do setor em 2004, quando se tornaram necessários leilões marcados pelo governo federal para a venda de energia, com o que é permitida a construção de usinas. Outro é o fato de o País ter passado, em 2001, por um racionamento de energia. Ele cita ainda a indisponibilidade de gás que seria usado no funcionamento da termelétrica. Os atrasos eram do conhecimento da Aneel e do governo estadual, segundo Soares.

Alckmin também afirmou que é preciso aumentar a fiscalização sobre o serviço da Eletropaulo, o que é feito pela Arsesp - a agência que regula o setor de energia no Estado - e pela Aneel, o órgão federal.

Procurada, a assessoria do governo não comentou como foi feita a fiscalização nos últimos governos, do próprio Alckmin e de José Serra (PSDB). Segundo o governador, o Procon vai tomar todas medidas para proteger o consumidor.

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