Alckmin diz que Dilma não tem conhecimento sobre água em São Paulo

O governador de São Paulo reagiu às críticas de que houve falta de investimentos para evitar crise hídrica e atribuiu a falta d'água a uma seca história

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2014 | 18h51

SOROCABA - Devolvendo a crítica da presidente Dilma Rousseff, de que a falta de água em São Paulo se deve à falta de investimentos do governo paulista, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta quinta-feira, 8, que a presidente desconhece os investimentos que foram feitos. "A presidenta não é obrigada a saber de tudo. Ela não tem o conhecimento dos investimentos que foram feitos", reagiu. Ele também afirmou que a média de perda de água da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) é bem menor que a média brasileira. Enquanto as perdas da Sabesp são de 29%, a média do Brasil está acima de 40%, segundo ele. "Temos o melhor sistema do Brasil, tanto que estamos dando consultoria para o Estado de Alagoas", afirmou.

Dilma havia dito aos jornalistas que a energia é federal e a água estadual, e que não está havendo apagão porque seu governo investiu em energia. Eximindo o governo federal da culpa pela crise hídrica em São Paulo, ela disse que a água é responsabilidade do Estado. "Água ou energia só segura se investir. No caso de São Paulo, é porque não investiram", afirmou. Respondendo à crítica, Alckmin disse que a Sabesp investiu em três anos 7,2 bilhões de reais em saneamento básico no Estado. "Isso fora os investimento privados", acrescentou.

Atribuindo a crise no abastecimento a uma seca histórica, "a maior em 84 anos", o governador discorreu sobre as obras realizadas, inclusive o Sistema São Lourenço, uma Parceria Público-Privada (PPP) que vai buscar água no Vale do Ribeira para abastecer a capital. "Será o sétimo sistema de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo." Ele afirmou que, além das obras, São Paulo tem dado prioridade ao uso racional da água para evitar o desperdício, citando o bônus de 30% para quem reduzir em 20% ou mais o consumo. "Em março, 76% dos consumidores da região do Sistema Cantareira economizaram, por isso estendemos para toda a Região Metropolitana de São Paulo, e o porcentual dos que economizaram aumentou para 81%. Agora, estamos estendendo também para 11 municípios da região de Campinas."

CPI do Metrô. Alckmin disse não saber com que intenção o Congresso instalou a Comissão Parlamentar Mista (CPMI) do Metrô, mas afirmou que não vê problema na investigação, pois o governo é vítima. "No cartel, o governo é vítima. As empresas privadas fazem (cartel) e o governo é prejudicado, por isso somos os mais interessados em uma investigação profunda e séria." Ele disse desejar que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acelere as investigações. "Não sei a intenção que motivou a criação (da CPMI), mas o Cade tem a missão institucional para investigar e queremos que acelere a investigação, até porque o governo terá de ser ressarcido." Segundo ele, se houver algum agente público envolvido, ele será responsabilizado.

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