Alckmin descarta levar bônus para cidades do interior

Para governador, decisão é das prefeituras; programa que dá desconto para economizar água é adotado na Grande São Paulo

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2014 | 22h37

CABREÚVA - Apesar da crise hídrica no Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 14,3 milhões de habitantes da Grande São Paulo e do interior, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) descartou nesta sexta-feira, 11, estender a mais municípios o bônus adotado em 31 cidades da região metropolitana para quem economizar água. Nesta sexta, o nível do sistema caiu mais uma vez e chegou a 12,2%.

De acordo com o governador, o bônus pode contemplar moradores de cidades abastecidas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), mas, por enquanto, o programa vai ficar restrito à Grande São Paulo. Em todo o Estado, a empresa fornece água para 364 das 645 cidades paulistas.

"Na região de Campinas, onde a situação do abastecimento é crítica, os serviços de água são administrados pelos municípios, então a decisão deve ser das prefeituras", afirmou Alckmin. A água do Cantareira abastece 5,5 milhões de pessoas no interior.

Alckmin voltou a negar a necessidade de implementação de rodízio de água, embora continue como uma opção futura. Para o governador, o programa de bônus continua como a principal aposta do governo para evitar o racionamento. O programa da Sabesp oferece desconto de 30% na conta de água para quem reduzir o consumo em pelo menos 20%.

"A questão do rodízio não pode ser descartada, mas acreditamos que o bônus vai ajudar a manter o abastecimento", disse Alckmin. Para o governador, a ampliação do desconto para mais de 17 milhões de moradores da região metropolitana significará uma redução importante no uso da água de outros sistemas que abastecem a região. Com isso, outros mananciais poderão cobrir o déficit do Cantareira.

Segundo Alckmin, os outros sistemas estão com mais água. "A adesão chega a quase 80% e, à medida que cai o consumo pelo uso racional da água, é possível que os outros sistemas, como o Guarapiranga, o Rio Grande, o Alto Cotia e outros, abasteçam mais gente. Podemos fazer uma retirada menor do Cantareira", afirmou.

Na fase inicial, a partir do dia 1.º de fevereiro, 76% dos consumidores reduziram o uso de água - 37% atingiram a meta para obter a bonificação.

Ambiente. Nesta sexta, o governador comentou a proliferação de algas na Represa de Guarapiranga, como noticiado pelo Estado. A represa é uma aposta para aliviar a captação de água do Cantareira. Alckmin disse que o problema não vai afetar o uso das águas da represa para abastecimento. Para especialistas, a formação pode afetar a produção de água potável por exigir mais tempo para o tratamento.

Alckmin minimizou o problema e afirmou que a Sabesp tem tecnologia para produzir "as melhores águas potáveis do mundo". Ele destacou ainda que a Represa do Guarapiranga é uma das que estão sendo usadas para cobrir áreas abastecidas pelo Sistema Cantareira.

Cortes diários. Apesar de o governador afirmar que não haverá, por ora, racionamento, moradores de diversos bairros da capital já reclamam dos cortes de água frequentes. Até mesmo aqueles que adotam ações para evitar o desperdício, como o aposentado José Jorge Alves, de 73 anos, se queixam das falhas no abastecimento feito pela Sabesp.

No Bairro do Limão, na zona norte, onde mora Alves, há relato de falta de água, entre a noite e a manhã, há pelo menos um mês. Ele conta que a torneira seca por volta das 21h e a água só chega na manhã seguinte.

Nos dois primeiros meses do ano, o aposentado que mora sozinho gastou em média 6.000 litros de água por mês. Em março, ele reduziu o consumo pela metade e obteve os 20%.

Para ganhar o bônus, Alves adotou medidas simples como usar a água da máquina de lavar para limpar o quintal e a garagem, reservar a louça em baldes com água em vez de usar a torneira da pia e parar de lavar o carro em casa. "É trabalhoso ter de fazer isso todo dia, mas uma hora acostuma. Acho que vai demorar para chover e os reservatório encherem novamente, por isso vou manter a rotina de economia", afirmou. / COLABOROU RAFAEL ITALIANI

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