Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Alckmin descarta 'catraca livre' durante greve no Metrô

Governador afirmou que medida impactaria o equilíbrio financeiro da empresa; metroviários se mostraram dispostos a liberar o acesso dos passageiros

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

29 Maio 2014 | 12h11

Atualizada às 20h28

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), descartou nesta quarta-feira, 28, a proposta de liberar as catracas do Metrô durante a greve da categoria, marcada para a próxima quinta-feira, dia 5. A chamada catraca livre, ou "catracaço", foi uma alternativa sugerida pelo sindicato para evitar transtornos à população - quatro das cinco linhas podem ser fechadas.

"Não, não (há a possibilidade de haver catraca livre). Veja bem, o Metrô é uma empresa, e como empresa, precisa ter um equilíbrio financeiro", afirmou o governador durante entrevista no centro da capital.

Os metroviários informaram, na segunda-feira, em coletiva de imprensa, que toda a categoria trabalharia normalmente durante a greve se Alckmin autorizasse a prática da catraca livre, permitindo que os passageiros entrem no sistema sem pagar.

Os trabalhadores não têm autonomia para optar pela estratégia, uma vez que a arrecadação é uma questão administrativa da empresa. Caso adotassem a ação sem autorização do governo, que é o maior acionista do Metrô - e, portanto, o seu controlador -, os metroviários poderiam ser processados e até demitidos por justa causa.

Alckmin foi taxativo sobre o impedimento da medida e também negou a hipótese de assumir pessoalmente a negociação com os metroviários. A direção do Sindicato dos Metroviários pede que as tratativas da campanha salarial sejam feitas diretamente com o governador - e não com a administração da empresa.

De acordo com os sindicalistas, não há margem de manobra suficiente para ampliar as contrapropostas.

"Neste ano não vai ser no tribunal (que a campanha terá um desfecho)", afirmou o presidente da entidade, Altino de Melo Prazeres Júnior, no início desta semana.

Bom entendimento. "Quem não gostaria de dar o maior aumento possível? O limite é que quem paga isso é o contribuinte, é quem usa metrô. Então, é com o dinheiro do bilhete e mais o subsídio do governo para os idosos, pessoas com deficiência, estudantes e professores que o Metrô se mantém", disse Alckmin. "Mas estou confiante, acho que nós vamos chegar a um bom entendimento", afirmou.

Na avaliação do governador, "não há nenhuma necessidade de greve" dos metroviários neste momento. "Porque você faz greve quando não há diálogo. E o governo do Estado sempre tem se caracterizado por fazer diálogo com as nossas entidades", afirmou Alckmin. Ele acrescentou também que as negociações salariais já foram finalizadas nas categorias das outras duas empresas sob administração da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos - a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Reunião. Por meio de nota, o Sindicato dos Metroviários informou nesta quinta que uma reunião está marcada para a manhã de hoje com o presidente do Metrô, Luiz Antonio Carvalho Pacheco, na sede da empresa, no centro. Além disso, na segunda e na quarta-feira, haverá audiências de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

A companhia propôs nesta semana aumento de 7,8%, maior do que os 5,2% oferecidos inicialmente. Os funcionários, que pedem 35,47%, recusaram o índice.

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