Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Alckmin decide congelar tarifas de trem e metrô em R$ 3,80

Mesmo com queda de receita das empresas estaduais, governador encampou promessa de campanha feita pelo prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), de não subir o preço da passagem de ônibus na capital em 2017

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

29 Dezembro 2016 | 18h57

 

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) bateu o martelo e decidiu nesta quinta-feira, 29, congelar em R$ 3,80 o valor das tarifas de trem e metrô na Grande São Paulo em 2017. Assim, o tucano encampa a promessa de campanha feita pelo prefeito eleito da capital e seu afilhado político, João Doria (PSDB), de não subir o preço da passagem de ônibus na cidade no ano que vem. Na média, 13,9 milhões de pessoas usam um dos três meios de transporte público por dia.  

Conforme o Estado revelou nesta quinta, a análise sobre a viabilidade econômica e a forma de implementação do congelamento das tarifas estava em fase de conclusão por técnicos da Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos. A medida será anunciada nesta sexta-feira, 30, durante evento de entrega de um novo trem para a Linha 7-Rubi (Luz-Francisco Morato) da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na Estação Brás, centro de São Paulo. 

Alckmin e Doria também devem detalhar prováveis alterações que serão feitas nos preços de outros cartões de pagamento, como os bilhetes diário, semanal e mensal, que não foram reajustados neste ano, e uma possível revisão das gratuidades para idosos com menos de 65 anos e estudantes. O objetivo é reduzir o impacto financeiro do congelamento da tarifa nos caixas das empresas de transporte estaduais (Metrô e CPTM) e municipal (SPTrans). 

Historicamente, o reajuste nas tarifas é feito de forma conjunta no início do ano. O último congelamento de ônibus ocorreu em 2012, quando o valor permaneceu em R$ 3,00 e se equiparou ao preço do metrô e do trem, reajustados na ocasião. Em 2013, Estado e Prefeitura reajustaram para R$ 3,20, mas se viram obrigados a revogar a medida após os protestos de junho daquele ano. Em 2015, houve aumento de R$ 0,50 e, em janeiro deste ano, o preço subiu 8,57%, para os atuais R$ 3,80. 

Crise. A promessa de congelar a tarifa de ônibus foi feita por Doria durante a campanha eleitoral e acabou sendo mal recebida pela direção do Metrô, que tem sofrido com queda do número de passageiros (300 mil usuários a menos por dia em relação a 2015) e atrasos nos repasses feitos pelo governo Alckmin para cobrir as gratuidades de idosos e estudantes. 

Somente neste ano, a companhia registrou um calote de R$ 332,7 milhões do Estado, que deixou de repassar valores referentes à compensação tarifária à estatal para quitar obrigações contratuais com a concessionária privada que opera a Linha 4-Amarela, e já fez acordo para parcelar cerca de R$ 150 milhões em dívidas com fornecedores por causa da redução de suas receitas.

No caso dos ônibus, estimativas feitas por técnicos da Comissão de Transportes da Câmara Municipal apontam que o congelamento da tarifa de ônibus deve custar cerca de R$ 750 milhões a mais em subsídios pagos pela Prefeitura para a operação do sistema de transporte público municipal. A equipe de Doria prevê custos adicionais de R$ 550 milhões. Só neste ano, a previsão é de que os subsídios superem os R$ 2,5 bilhões.

Doria tem dito que vai usar a economia gerada nos cortes de 15% dos contratos com fornecedores da Prefeitura, de 30% dos cargos comissionados e de 35% nas verbas de custeio das secretarias (exceto Saúde, Educação e Segurança) para conseguir cumprir a promessa de campanha. Não está descartada a ideia de extinguir a função do cobrador de ônibus, que já foi sugerida pela gestão Haddad, mas encontrou resistência do sindicato da categoria. A medida, segundo cálculos da Prefeitura, resultaria em um economia de R$ 800 milhões por ano e precisaria de alteração na legislação municipal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.