Alckmin dará bônus para médico atuar na periferia da Região Metropolitana

Programa de gratificação a esses profissionais deve ser apresentado nas próximas semanas

Fernanda Bassette e Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2013 | 02h05

Menos de dois meses depois de o governo federal lançar o programa Mais Médicos, que pretende levar profissionais para atuar em regiões distantes e no interior do País, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou ontem que pretende pagar uma gratificação para os médicos que atuarem em hospitais de bairros periféricos e da Região Metropolitana de São Paulo, numa clara reação ao programa federal.

O programa de bônus a esses profissionais deve ser apresentado pelo Executivo nas próximas semanas. O governador não detalhou como funcionará a proposta, mas afirmou que uma lista de hospitais em regiões periféricas de São Paulo, principalmente nos extremos das zonas leste e sul, está sendo considerada pela Secretaria de Estado da Saúde. Atualmente, a rede estadual tem cerca de 20 mil médicos.

O secretário estadual de Saúde, David Uip, negou que a ideia tenha relação com o Mais Médicos e disse que o objetivo é premiar resultados. "Você não pode punir o indivíduo que se sujeita a trabalhar na periferia porque naturalmente é mais difícil, custa mais caro, é mais distante, leva mais tempo. A ideia é premiar as pessoas por meio de produtividade e de dificuldade de acessibilidade", afirmou.

Segundo Uip, a proposta não considera pagar a gratificação para os médicos que trabalharem em cidades do interior, pois o critério de pagamento do bônus será atuar longe de casa e em regiões de difícil acesso.

"É diferente uma pessoa que mora no centro (de São Paulo) e trabalha em Taipas (zona norte da capital), da pessoa que mora no centro e trabalha no centro. O interior é uma outra história. O indivíduo está localizado no local em que ele trabalha. Então não pensamos em dar gratificação para médicos do interior. A ideia é recompensar o médico que trabalha em áreas de difícil acesso e que mora longe", diz.

O pagamento do bônus seria um benefício além do plano de cargos e carreiras do governo estadual, que já prevê o pagamento de R$ 6 mil para médicos que trabalharem 20 horas semanais e R$ 14 mil para contratos de 40 horas por semana.

"Esse é o salário inicial, mas o profissional pode receber mais de R$ 20 mil ao longo da carreira", afirmou o governador. "Mesmo assim, temos dificuldade de conseguir profissionais de algumas especialidades, como anestesistas, intensivistas e ortopedistas", completou Alckmin.

Plano de carreira. Para Renato Azevedo, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), a gratificação é positiva, mas também não resolve o problema de fixação do médico.

"Gratificação sempre ajuda, mas é uma solução paliativa. Buscamos uma medida definitiva, que é o plano de carreira, com dedicação exclusiva e trabalho em tempo integral. O que fixa o médico nas regiões distantes é estrutura adequada e recursos mínimos de trabalho. Muitas vezes, ele deixa de aceitar uma boa proposta financeira pela falta disso", afirma.

Cid Carvalhaes, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo também faz ponderações à possibilidade de os médicos receberem um bônus por trabalhar em áreas distantes.

"Não podemos ser contra o aumento de ganhos para qualquer trabalhador. Mas temos de defender um salário decente, e não gratificação, que é forma de conseguir atrair apenas com apelo financeiro, que não funciona. Pode funcionar em um primeiro momento de necessidade, mas depois o profissional vê a ilusão a que está submetido. Não é a solução ideal."

Outra ação em estudo pelo governo do Estado para enfrentar o Mais Médicos é a criação do programa "Mais Residentes", que pretende ampliar o número de médicos residentes nos hospitais estaduais paulistas, conforme o Estado antecipou. O programa reforçaria o contingente atual de 7 mil profissionais em formação no Estado (o que representa metade do total do País). / COLABOROU BRUNO DEIRO

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