NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Alckmin cria comitê de enfrentamento da crise hídrica

Segundo decreto, órgão será coordenado pela Secretaria Recursos Hídricos e tem 'o intercâmbio de informações' como um dos objetivos

Fabio Leite e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2015 | 14h45

Atualizada às 22h08

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) criou nesta quarta-feira, 4, o “Comitê de Crise Hídrica” da Grande São Paulo, demanda apresentada há uma semana por 30 prefeitos da região metropolitana. Entre os integrantes do governo nomeados para compor o grupo está o secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes. Segundo a gestão, a participação dele no grupo visa a “ampliar as ações já desenvolvidas em operações conjuntas” com a Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp).

O Estado quer intensificar ações contra “gatos” em hidrômetros para omitir o alto consumo de água e outras fraudes. Ainda de acordo com o governo, também haverá ações da Polícia Ambiental nos mananciais da Grande São Paulo. 

Para o consultor em segurança pública Diógenes Lucca, porém, a decisão mostra que Alckmin já teme violência urbana, caso a crise se agrave, e a necessidade de apoio e intervenção da Secretaria da Segurança Pública. “A água vai ser um produto que vai gerar manifestações, além de ataques contra caminhões-pipa. São desdobramentos de um cenário que pode ficar mais crítico”, disse.

O comitê será coordenado pelo secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, e também tem a finalidade de fornecer aos prefeitos informações sobre a adoção de um racionamento oficial. Dessa forma, as administrações municipais terão tempo hábil para preparar-se para a medida. 

Haddad. Segundo o decreto publicado nesta quarta no Diário Oficial do Estado, além de Braga e Moraes integrarão o grupo os secretários da Casa Civil, Edson Aparecido; da Saúde, David Uip; do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias; e o coordenador da Defesa Civil, coronel José Roberto Rodrigues de Oliveira. Também foram convidados para compor o comitê o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e os presidentes de cinco consórcios intermunicipais da Grande São Paulo.

Os prefeitos se disseram surpresos. O titular de Mauá, Donisete Braga (PT) alegou não ter sido informado anteriormente. O assessor de recursos hídricos de Embu das Artes, João Ramos, afirmou estar “perplexo” com a falta de comunicação. As prefeituras também estranharam o fato de a Sabesp não ter sido incluída no comitê. 

O Estado afirmou que Braga já havia deixado claro que seria criado o comitê. E destacou que a Sabesp está subordinada à Secretaria de Recursos Hídricos. /COLABORARAM ANA FERNANDES e JOSÉ ROBERTO CASTRO

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