Alckmin admite 'meses difíceis' e diz que não há relação entre crimes

Madrugada de quarta para quinta-feira, 25, foi marcada por assassinatos na zona norte da capital paulista

Caio do Valle, Jornal da Tarde

26 Julho 2012 | 13h55

Não existe ligação entre o assassinato de seis pessoas na madrugada desta quinta-feira, 26, na cidade de São Paulo e a emboscada sofrida por um policial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), na noite de segunda-feira, 23. Pelo menos é essa a avaliação feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). "Não há uma relação, provavelmente, entre um caso e outro, entre esses assassinatos. A polícia já está trabalhando", afirmou ele na manhã de hoje.

As mortes desta madrugada ocorreram nas regiões vizinhas do Jaçanã e Tremembé, na zona norte. Já o policial de 28 anos foi baleado, há três dias, no Jaçanã, quando voltava para casa. Isso reforça a suspeita de que os dois crimes possam estar relacionados. O agente de polícia sobreviveu e foi levado para a UTI.

Alckmin também admitiu que São Paulo enfrenta "meses difíceis" no que tange à violência. "Nós enfrentamos meses difíceis, especialmente o mês de junho e o mês de julho."

Em seguida, o governador comparou a situação do Estado com o restante do País. "Analisando a série histórica, nós vamos verificar que nós saímos de 35 homicídios por 100 mil habitantes há 10, 11 anos para 10,3 no primeiro semestre deste ano. O Brasil tem 26 homicídios por 100 mil habitantes. Claro que não estamos satisfeitos e, por isso, o trabalho vai aumentar."

De acordo com ele, a polícia está agindo "firme" no combate ao tráfico de drogas. "Inclusive, em cima das chamadas biqueiras, que são a ponta do tráfico. Houve uma reação grande das quadrilhas, do crime organizado."

Sobre erros de policiais durante as suas ações, Alckmin disse que há "tolerância zero" do governo. "A tolerância, seja com a ação criminosa, abuso, seja com o erro, é zero. Veja que no caso que houve daquele publicitário os policiais foram presos imediatamente. A rapidez foi total." O governador se referia à morte de Ricardo Prudente de Aquino, de 38 anos, com tiros na cabeça por dois soldados e um cabo no Alto de Pinheiros, na zona oeste, no último dia 18. Naquele mesmo dia, Bruno Vicente de Gouveia, de 19 anos, foi baleado e morto por PMs dentro de um carro em Santos, na Baixada Santista. O veículo não parou em uma blitz.

"Agora, nós temos 97 mil policiais militares, fora os civis e fora a Polícia Científica. Então, pode haver erro? Pode. Pode haver abuso? Pode. O que não pode ter é nenhum tipo de tolerância. Para isso, nós temos uma Corregedoria muito forte nesse trabalho", afirmou Alckmin.

MPF. O governador ainda aproveitou para criticar o Ministério Público Federal (MPF), que deve entrar ainda hoje com uma ação civil pública pedindo o afastamento da cúpula da Polícia Militar em São Paulo. O órgão alega perda de controle da situação. "É uma medida totalmente descabida. Acho que o Ministério Público Federal devia investigar primeiro o tráfico de drogas. Porque nós produzimos laranja, cana, café, soja, milho, não produzimos cocaína. Por onde entra essa cocaína toda? Entra pela fronteira. Onde é que está a polícia de fronteira? Podia investigar o tráfico de armas", disse Alckmin.

O governador também anunciou que está reforçando o efetivo das forças de segurança pública do Estado. "Hoje, nós estamos nomeando 200 delegados de polícia, que já passaram no concurso. Amanhã estará no Diário Oficial. Na sexta-feira, demos posse a 920 novos soldados, que fizeram um ano na escola superior de soldados, e destes, 435 só aqui na Região Metropolitana de São Paulo."

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