Alcântara melhora com Bolsa Família e turistas

Todos os dias, a barca que chega de São Luís às 8h30 traz com a maré alta turistas que se aventuram a passar algumas horas em Alcântara. Além do programa Bolsa Família, visitantes são das poucas fontes de renda da cidade. A base militar, que pode render acordos de uso milionário para o governo brasileiro, deixou de ser uma alternativa viável em março, quando acabou o acordo Brasil-Ucrânia.

O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2013 | 02h02

No auge, a construção da área de lançamento chegou a empregar mais de 1,5 mil pessoas, quase 5% de toda a população do município. Aos poucos, com o dinheiro rareando, começaram as demissões.

Adilson Silva de Oliveira, de 45 anos, era marceneiro no consórcio. Hoje vive de bicos à espera de uma nova oportunidade. "No fim do ano passado começou a dar problema, nos disseram que a Ucrânia não tinha repassado dinheiro e foram dispensando o pessoal. Até que parou de vez", conta. Com dois filhos, explica que vai se virando. "Eu tenho uma profissão. Sempre tem uma porta, uma janela para arrumar. E quem não tem? É uma tragédia. Aqui é pequeno, não tem renda, não tem emprego. Só mesmo a prefeitura e a Aeronáutica", diz.

Pior. Há dez anos, a situação em Alcântara era ainda pior. Sem Bolsa Família e sem turistas, a cidade ficava quase deserta. Vivia-se praticamente de pesca e, em um dia de semana, o silêncio na cidade impressionava. Hoje, há alguns restaurantes, poucas pousadas, lojas de artesanato. Surgiram agências bancárias e lojas, fruto de mais dinheiro circulando - mais de 80% da população recebe Bolsa Família -, de mais ações sociais e do crescimento do turismo.

O aumento do interesse por outras regiões, como Lençóis, termina por respingar em Alcântara, com turistas de um dia só que chegam de São Luís para conhecer a cidade criada por franceses no século 17 e ainda interessante - mesmo que boa parte de seu patrimônio histórico precise de restauração. /L.P.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.