ALAGOAS TEM O PIOR DESEMPENHO DO PAÍS

Distorção de séries é um dos problemas do Estado

CARLOS NEALDO , ESPECIAL PARA O ESTADO , MACEIÓ, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2013 | 02h04

Estado com o maior porcentual de analfabetismo do País, com 21,8%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2012, Alagoas também teve o pior desempenho brasileiro nas três áreas avaliadas nesta edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Os alunos alagoanos de 15 anos ficaram em último lugar no País em Matemática, com 342 pontos, Leitura (355) e Ciências (346), alcançando uma média de 347,7 pontos.

A gerente de ensino fundamental da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas, Ana Márcia Cardoso Ferraz, justifica o desempenho ruim com o que chama de "distorção de escolaridade". Isso porque muitos dos alunos de 15 anos, que deveriam cursar o 9.º ano do ensino fundamental, estão no 6.º ano. Segundo dados do Ministério da Educação, dos 88,2 mil alunos matriculados no ensino fundamental da rede pública, metade está nessa distorção. "São alunos que estão, em média, com dois anos de atraso", diz.

O estudante Samuel Oliveira Melo da Silva, de 16 anos, por exemplo, já deveria estar no ensino médio, mas repetiu várias vezes. Atualmente no 6.º ano, ele reconhece que por muito tempo não se interessava pelos livros. Agora, se esforça para concluir os estudos e servir às Forças Armadas, seu sonho.

Para tentar reverter a situação mostrada pelo Pisa, será lançado no próximo ano o Programa de Correção de Fluxo, que conta com uma série de ações, entre elas a compra de R$ 1,1 milhão em livros didáticos. No primeiro ano, porém, o esforço só contemplará 10,4 mil alunos, o que corresponde a cerca de um quarto dos estudantes que estão na distorção.

Concurso. Há outros problemas na rede. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas reivindica há pelo menos cinco anos a realização de concurso público para o preenchimento de pelo menos 3,5 mil vagas deixadas por professores que já se aposentaram. Sem concurso público há oito anos, a educação alagoana tem 3,4 mil profissionais para cobrir toda a rede pública.

Mas, em meio às dificuldades, Alagoas tem exemplos de excelência. É o caso da estudante de escola pública Marta de Fátima Oliveira, de 16 anos. Filha de agricultores, ela conquistou a medalha de ouro na Olimpíada Alagoana de Matemática de 2013, há uma semana, e a de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), no dia 29, competindo com mais de 30 milhões de alunos.

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