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Al Janiah, restaurante palestino, é alvo de ataques em São Paulo

Imagens de câmera de segurança mostram um grupo de homens jogando garrafas e outros objetos para dentro do estabelecimento. Restaurante diz ter sido vítima de um ataque da "extrema direita"; ninguém saiu ferido

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2019 | 19h50

O restaurante palestino Al Janiah, localizado no bairro do Bexiga, sofreu um ataque na noite deste sábado, 31. Um vídeo de uma câmera de segurança, publicado em redes sociais, mostra é um grupo de homens atirando garrafas para dentro do estabelecimento. 

Segundo a assessoria de imprensa do Al Janiah, o ataque ocorreu na madrugada deste sábado, por volta das 3h30. Um grupo de cinco pessoas, que a direção do Al Janiah diz identificar como “pertencentes a um grupo de extrema direita”, se aproximou da porta principal portando armas brancas e spray de pimenta e iniciou a ação. Ninguém ficou ferido. O restaurante afirma que está conversando com seus advogados e que, por isso, nenhum boletim de ocorrência foi registrado até o momento. 

Ainda segundo a assessoria do Al Janiah, a invasão foi evitada pela própria equipe do restaurante. A Polícia Militar não foi chamada ao local da ocorrência.

Há três anos, durante atos conta o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff (PT), o restaurante também esteve no noticiário – quando, segundo o empresário Hasan Zarif, proprietário do estabelecimento, a Polícia Militar lançou bombas de gás lacrimogêneo contra o local (que na ocasião ficava em outro endereço no centro de São Paulo).

Em maio de 2017, Zarif chegou a ser detido durante um confronto com manifestantes de um grupo chamado Direita São Paulo.

O Al Janiah é um restaurante palestino que emprega refugiados. O local é frequentado por um público universitário identificado com as pautas de direitos humanos e com movimentos de esquerda. No Facebook, o Al Janiah se manifestou: “Desde o inicio, o Al Janiah sempre foi conhecido por ser um espaço democrático, de defesa das minorias políticas e acolhimento de refugiados. Sua historia se liga à luta pela Libertação da Palestina”.

A assessoria do Al Janiah também respondeu, por meio de nota, que os incidentes da madrugada de sábado e o de 2016 não podem ser considerados "mera coincidência". “Não é coincidência tendo em vista o momento que nosso País está passando. De 2016 pra cá, temos sofrido com uma escalada do ódio e da intolerância, que hoje segue sendo reforçada por nosso presidente. Ser um espaço democrático, com pessoas de diversas partes do mundo, é uma posição não só política mas de projeto de sociedade”.

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