Airbus diz que reverso defeituoso não impede uso de jato

Embora evite comentar acidente, fontes garantem que a versão da TAM estaria correta ao defender o vôo 3054

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2007 | 15h16

Questionada sobre a utilização, pela TAM, de um jato com problemas no reverso da turbina, a Airbus confirmou nesta sexta-feira, 20, que, pelos padrões internacionais, um avião pode ser autorizado a voar sem que o equipamento esteja em pleno funcionamento. A empresa, com sede na França, se recusa a falar oficialmente sobre o acidente com o Vôo 3054 da TAM e alerta que apenas se pronunciará quando as investigações estiverem concluídas.  Veja Também Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054  Segundo informações divulgadas pela imprensa na quinta-feira, 19, a TAM já havia identificado o problema no reverso do A320 que se chocou contra o prédio da TAM Express antes do acidente, mas assim mesmo o avião continuou voando. Ainda assim, fontes da companhia garantiram ao Estado que a versão da TAM estaria correta ao defender o vôo, mesmo sem o funcionamento do equipamento. Especialistas europeus também negam que a falta do reverso seja a causa principal do acidente e apontam que a TAM estava ainda dentro do prazo em que poderia usar o avião sem arrumar o defeito.  "Não vamos comentar nada agora porque seria falar de hipóteses e meras opiniões", afirmou uma  porta-voz da empresa, com sede em Toulouse. O reverso da turbina é usado para ajudar a frear a aeronave no pouso, mas em caso de estar bloqueado, não significaria que o avião não poderia pousar, segundo os manuais da empresa.  Cinco dos principais técnicos da Airbus chegaram a São Paulo nesta sexta-feira para ajudar nas investigações, assim como autoridades francesas. Pela regras internacionais, um acidente aéreo deve ser investigado pelo país onde ocorreu o desastre, pelas autoridades do país onde está a sede da construtora de aviões e pela empresa que vendeu o avião. Segundo a Airbus, os técnicos já estão trabalhando no caso. Para o especialista em aviação Pierre Condom, "não há como dizer que o acidente ocorreu por causa exclusiva do defeito no reverso".  "O manual da Airbus deixa claro que um avião pode voar nessas condições, ainda que avise que certos cuidados devem ser tomados. Um desses cuidados é o de garantir que haja pista suficiente para um pouso. Nesse caso, são os controladores que precisam avisar aos pilotos quais são as condições", disse.  Condom, que atua como consultor para assuntos relacionados à aviação na Europa, explica que a Airbus dá dez dias para que o defeito no reverso seja corrigido pela empresa aérea. Só após esse prazo é que se recomenda não usar o avião. "O defeito no avião da TAM havia sido registrado três dias antes do desastre. Portanto, o avião estava voando dentro do padrão", disse. "Todos os dias há um avião no mundo de uma grande companhia voando sem o reservo", garantiu. Em sua opinião, dois fatores podem ter pesado no acidente: a má apreciação das condições da pista por parte do aeroporto e o fato de os pilotos terem subestimado sua capacidade de frear.

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