Ainda sobra casa para alugar no litoral norte

Corretores e donos de imóveis reclamam de procura muito menor em relação a 2011

REGINALDO PUPO, ESPECIAL PARA O ESTADO, SÃO SEBASTIÃO, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2012 | 02h09

O mercado imobiliário do litoral norte paulista anda preocupado. Às vésperas do Natal e do réveillon, a procura por locações de residências para as festas de fim de ano e temporada de verão anda em baixa. Diferentemente do ano passado, quando, segundo corretores, todos os imóveis já tinham sido negociados em novembro. A queda na procura também é sentida por proprietários particulares de imóveis que fazem a locação sem a intermediação de imobiliárias.

Donos de casas creditam a queda à proliferação de sites de compras coletivas, que promovem descontos de até 80% nas diárias de hotéis.

"Alugo a minha casa há cinco anos para uma mesma família de Osasco, mas neste ano eles preferiram ficar em um hotel de Ubatuba, que sairá mais em conta", diz a aposentada Maria Cecília Antunes Souza, de 68 anos, dona de uma casa na Praia das Toninhas.

Os hoteleiros, que também sentem queda na procura para Natal e réveillon, acham difícil o setor aceitar valores tão baixos prometidos pelos sites populares justamente na época da temporada, quando faturam mais. Há também a desconfiança de que os turistas estariam pesquisando e deixando para decidir na última hora.

É o caso do comerciante Álvaro Rinna, de 43, de São Paulo, que deseja passar o fim do ano em Caraguatatuba. "Se a gente deixa para a última hora, os donos das casas acabam baixando o preço com medo de não conseguir alugar."

O engenheiro Ronaldo Ângelo Chaves fez os cálculos e chegou à conclusão de que realizar um cruzeiro pesará menos no bolso. "Não dá para pagar R$ 2 mil por dia em uma casa. Com o mesmo valor, faço um cruzeiro de sete dias, com valor parcelado, e ainda sobra dinheiro."

Queda de 40%. A corretora Duda Linna, de 40 anos, da Wesley Modesti Imóveis, de Juqueí, em São Sebastião, pensou que em novembro já teria negociado a locação de pelo menos 25 residências. "Até o momento, fechei apenas dez."

Segundo ela, o mercado sentiu retração de 40% em relação ao mesmo período do ano passado. E a baixa procura acaba derrubando os preços. Uma diária em residência de alto padrão na Praia da Baleia, uma das mais valorizadas do litoral paulista, não sai por menos de R$ 7 mil. Com a baixa procura, os proprietários estão diminuindo o valor para cerca de R$ 5 mil.

O comerciante Graciano dos Santos Filho, de 33 anos, faz a locação de suítes em um terreno da família há sete anos na Barra do Saí, em São Sebastião. Pela primeira vez, sentiu queda na procura. Das dez suítes disponíveis, conseguiu fechar apenas duas, a R$ 200 a diária para sete dias - de 26 de dezembro a 2 de janeiro.

Para incrementar o serviço - e o bolso -, ainda oferece passeios de barco até As Ilhas, a R$ 50 por pessoa. "Acho que essa febre de compras coletivas pela internet pode ser a causa da baixa procura, pois derrubam os preços."

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