Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

'Ainda não é possível apontar se houve falha dos policiais', diz porta-voz da PM de SP

Agentes de segurança negam ter feito disparos de arma de fogo; nove pessoas morreram pisoteadas durante tumulto após ação da Polícia Militar em baile funk na comunidade de Paraisópolis

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2019 | 11h37

SÃO PAULO - Policiais e testemunhas estão prestando esclarecimentos sobre a morte de nove pessoas durante tumulto após ação da Polícia Militar (PM) em baile funk na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, na madrugada deste domingo, 1.º, que também deixou outras 12 pessoas feridas.

Em entrevista à Rádio Eldorado, o porta-voz da PM, tenente-coronel Emerson Massera, disse que ainda "não é possível apontar que houve uma falha dos policiais".

"Preventivamente, apreendemos as armas de todos policias e pedimos exame residuográfico", afirmou o tenente-coronel.

Os policiais que participaram da ação negam ter disparado arma de fogo. A Corregedoria está investigando a ação da PM no pancadão. As imagens estão no inquérito e estão sendo analisadas.

"É muito grave (a agressão), mas a primeira sensação que dá, não estou desqualificando o fato, que é extremamente grave, mas a sensação que temos é que não ocorre no problema do pancadão, que teve a correria das pessoas. A imagem é muito lenta e parada", avaliou Massera.

Os policiais que aparecem no vídeo serão identificados para saber se estavam em Paraisópolis na madrugada de domingo.

De acordo com a versão oficial, seis PMs estavam na Avenida Hebe Camargo, perto da comunidade, quando uma dupla passou de motocicleta por volta das 5h30 e atirou contra os policiais, ao serem abordados. Eles fugiram em direção à festa, que reuniu 5 mil pessoas.

Ao chegar ao baile, os policiais dizem que começou o tumulto e os suspeitos se esconderam na multidão. Isso teria feito com que participantes da festa, em pânico, tropeçassem e se machucassem gravemente.

Já moradores, em relatos e vídeos, acusam os PMs de agir com truculência. O Estado informou que vai investigar as circunstâncias das mortes para apontar se houve excessos.

"Os policiais tentaram prevenir a instalação do pancadão. Começou a fazer policiamento nos arredores para evitar crimes durante o evento. Em um dos pontos, passou uma moto, em atitude suspeita", afirmou o porta-voz da PM.

Segundo Massera, os policiais pediram para eles pararem, mas os ocupantes atiraram e fugiram em direção ao baile funk.

"A ação dos criminosos é que provocou o tumulto."

Sem estrutura

Há quase uma década, o Baile da Dz7 (17) acontece aos fins de semana na região de Paraisópolis. Em algumas ocasiões começam na quinta e se estendem até domingo, o que gera reclamação de moradores do Morumbi, bairro vizinho. Jovens se deslocam de diversos locais da cidade rumo ao pancadão.

"O baile funk acontece há anos na comunidade Paraisópolis, sem estrutura adequada. É preciso focar em providências para oferecer local mais adequado para a realização do evento, que acontece aos fins de semana", defendeu o tenente-coronel.

Segundo o porta-voz da PM, somente no último sábado, 30, foram registrados 250 pontos de pancadão na cidade de São Paulo.

"Somente neste ano, já foram 45 operações que preveniram a realização do pancadão em Paraisópolis."

Conforme moradores, esses bailes também se tornaram motivo de incômodo frequente, por causa do barulho e das aglomerações.

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