Ainda há risco de deslizamento na Imigrantes, diz IPT

Geólogo que esteve no local do acidente que matou paulistana contradiz versão da Ecovias e pede mapeamento da Serra do Mar

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2013 | 02h03

Não há como descartar a possibilidade de novos deslizamentos de terra perto do trecho da Rodovia dos Imigrantes onde uma enxurrada de lama matou uma mulher na sexta-feira. É o que diz o geólogo Marcelo Gramani, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que esteve no local do acidente. A declaração contradiz a versão defendida pela concessionária Ecovias, segundo a qual não há riscos de desabamento semelhante na estrada.

"Se aconteceu uma vez, pode acontecer de novo", afirmou o especialista, acrescentando que o próprio deslizamento mostrou a presença de uma situação crítica na área. "A Serra do Mar, independentemente das rodovias, dos bairros-cota ou de qualquer intervenção, já é naturalmente suscetível a escorregar, porque tem encostas com grandes inclinações e alturas." Além disso, segundo Gramani, o tipo de solo facilita esse tipo de evento. "E é uma área onde chove muito. Então não dá para descartar ocorrências de deslizamento."

No domingo, o diretor-superintendente da Ecovias, José Carlos Cassaniga, garantiu que sobrevoos de helicóptero feitos por geólogos, engenheiros e geotécnicos da empresa indicaram que as condições encontradas não inspiram preocupação. "Após esse grande volume que se desprendeu, motivado por uma precipitação bastante particular, (os técnicos) constataram que a situação global da serra é favorável." Por causa disso, a pista norte da estrada foi reaberta, após um bloqueio de 31 horas.

A Ecovias lembrou que a serra foi atingida por uma tempestade anormal no dia do deslizamento e que, em somente 10 minutos, choveu 23 milímetros, o equivalente à média diária de fevereiro.

Futuro. O geólogo Gramani sugere que seja feito um mapeamento da serra nas regiões cortadas por rodovias, como Imigrantes, Anchieta - onde também houve desabamentos na sexta-feira - e Tamoios. "O mapeamento pode indicar áreas prioritárias ou mais críticas, onde a intensidade de observação e monitoramento pode ser maior." Se começasse agora, o estudo já traria resultados para o próximo verão, diz o especialista.

Responsável pelas concessões de rodovias paulistas, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou, em nota, que "hoje não há problema de segurança", pois a pista e o túnel no km 52 da Imigrantes (local do acidente) "não foram avariados pelos deslizamentos", mas que "nova tromba d'água do tamanho da ocorrida na sexta-feira pode provocar novos transtornos". A autarquia disse ainda que deu prazo de 30 dias (prorrogáveis por mais 30) para o fim da investigação sobre o caso. A apuração, afirmou, é "rigorosa".

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