Águas-vivas fazem mais de 250 vítimas; saiba como tratar

Para desativar o veneno, é melhor usar vinagre na ferida e procurar atendimento médico

Rejane Lima, da Agência Estado,

31 de dezembro de 2007 | 12h30

Sol, calor, mar quente e praias lotadas trouxeram novos casos de banhistas atacados por águas-vivas em Praia Grande, na Baixada Santista. De quinta-feira à noite até as 20h30 do domingo, 256 pessoas deram entrada nos três prontos-socorros da cidade com lesões ocasionadas pelo contato com os animais.   Só neste domingo foram 14 casos, fora as vítimas que não procuram atendimento médico.   Como o ajudante de barraqueiro Ednaldo Afonso da Silva, de 34 anos, que foi atacado na tarde de sábado. "Doeu muito, mas eu passei cachaça e não quis ir para o hospital. Hoje que eu soube que o melhor era ter usado vinagre".   No hospital, o tratamento é feito basicamente com medicação para a dor e antialérgico em alguns casos, segundo o secretário Adjunto de Saúde de Praia Grande, Adriano Bechara. Ele diz que o sistema de saúde do município foi surpreendido pelo número de ocorrências e acabou tendo que ampliar o esquema especial da temporada para atender as vítimas. "Este ano tivemos um aumento de mais de 300%", afirmou.   O médico disse que nos 11 anos que trabalha na rede pública de Praia Grande nunca tinha visto um "surto dessa magnitude". Uma bióloga informou a secretaria que o aumento ocorreu por conta da temperatura do oceano.   As vítimas reclamaram da falta de preparo do Corpo de Bombeiros. "Na praia não tem socorro nenhum. Eu, queimado, tive que socorrer um amigo que estava numa situação pior", disse o empresário Leandro Panissa Dantas, de 25 anos.   Ele teve três amigos atingidos por águas-vivas na praia do Boqueirão ontem à tarde. Douglas de Oliveira Carneiro, de 18 anos, era quem estava com os ferimentos mais graves. Com queimaduras por todo o corpo, ele sentia tanta dor que nem conseguiu conversar com a reportagem.   "Mas uma coisa eu tenho certeza, nunca mais entro no mar", confessou Dantas, revoltado. Segundo ele, assim que o grupo de amigos, todos moradores da Zona Leste da capital, chegaram ao pronto-socorro, o médico perguntou se não tinham assistido ao noticiário na TV nem lido jornal. "Daí eu me pergunto: cadê a sinalização? Onde tinha gente para orientar?".   Tratamento:   1. Remova os tentáculos usando luvas, pinças ou a lâmina de uma faca. Não esfregue a região do ferimento.   2. Aplique compressa de água do mar gelada ou bolsas de gelo.   3. Utilize compressas de vinagre para desativar o veneno. Não use álcool, urina e nem lave com água doce, porque essas substâncias podem estimular a liberação de mais toxinas.   4. Procure auxílio médico.   Como evitar:   Quando as águas vivas estiverem perto da praia, o ideal é não entrar no mar.

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