Águas do Rio Tietê estão cobertas de algas em São Paulo

Vegetação, conhecida como aguapé, é comum em águas paradas e contrastou com poluição da água

Mônica Cardoso, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2008 | 17h14

Uma mancha verde cobriu ontem o Rio Tietê no trecho que corta a região metropolitana. Segundo técnicos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), a vegetação é formada por aguapés, plantas aquáticas que são mais comuns em locais de água parada, como lagoas e represas. Os técnicos percorreram o curso do rio, da barragem da Penha até Itaquaquecetuba, em direção à nascente, mas ainda não descobriram o que provocou o desprendimento das plantas nem seu lugar de origem.     José Luiz da Conceição/AE   Eles também não souberam precisar a quantidade de vegetação nem se vão retirá-la do rio. "Pode ser que a chuva tenha transportado os aguapés de algum rio que desemboca no Tietê", avalia Marcelo Pompeu, professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).   Outra hipótese é que a intervenção humana possa ter causado essa invasão verde. "Pode ser tanto a movimentação de alguma barragem localizada ao longo do rio como a limpeza de reservatórios, tanques e represas", diz Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica. Ela monitora o Rio Tietê há nove anos e nunca viu aguapés em sua superfície. "Nesse caso, o responsável deve ser punido com multa", diz.   Evelson de Freitas/AE   O aguapé pode tanto trazer benefícios para o meio ambiente como ser uma praga. Sua raiz longa e fina abriga uma grande quantidade de bactérias e fungos, capazes de extrair metais tóxicos da água, como o mercúrio, ajudando a despoluir lagos ou reservatórios. "Nas Represas Billings ou de Guarapiranga, poderíamos fazer uma fazenda de aguapés para a retirada de nutrientes e produção de biogás, eliminado na sua decomposição", diz o professor da USP.   A paisagem esverdeada do vegetal contrastou com a poluição e a água suja do rio José Luiz da Conceição/AE   No entanto, é preciso monitorar seu crescimento, que ocorre com facilidade e em pouco tempo. Com os nutrientes adequados, a planta pode crescer 5% do seu próprio peso por dia. Se crescer de maneira descontrolada, a planta é capaz de cobrir todo o espelho d’água, impedindo a entrada de luz para outros organismos, como fitoplânctons e peixes.   "Em São Paulo, onde o Tietê é praticamente um rio morto, ele não causa tantos problemas. Mas, em cidades onde a população utiliza o rio para a pesca, o aguapé vai competir com os peixes pelos nutrientes", diz a coordenadora do SOS Mata Atlântica. Por sua alta concentração de nutrientes, o Rio Tietê seria ideal para o desenvolvimento de aguapés, mas a própria correnteza pode impedir seu crescimento explosivo.   José Luiz da Conceição/AE   Justamente por seu rápido crescimento, não se aconselha a utilização de aguapés em lagos extensos, represas com remansos ou em tanques com grandes dimensões. Nos rios, ele pode prejudicar a navegação e causar problemas em reservatórios de usinas hidrelétricas. Mais conhecido como gigoga amarela, o aguapé (Eichornia crassipes) é uma planta originária da América tropical, composta por 95% de água.   Suas longas raízes podem chegar a 1 metro e a parte externa, que fica fora d’água, tem uma altura que varia de poucos centímetros a 1 metro. Ele serve de abrigo natural para diversos animais, como insetos, peixes e aves. A floração ocorre no verão, com flores arroxeadas, cultivadas como plantas ornamentais.

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