Água para beber, só se escorrer da parede

O Maranhão foi o segundo Estado por onde passou o mutirão carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no fim de 2008 e início de 2009. O cenário encontrado impressionou juízes e servidores do CNJ. Em um dos presídios visitados, havia uma criação de porcos entre as celas dos presos. Em outro, o abastecimento de água era feito, vez em quando, por um caminhão-pipa. Alguns dos presos ficavam nos corredores, sem direito a banheiro. Quando passavam por esses presídios, os juízes ouviam queixas sobre a falta de água.

Cenário: Felipe Recondo, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2010 | 00h00

Em setembro, no Pará, o CNJ vistoriava os presídios estaduais. E o cenário encontrado foi semelhante. Com uma simbólica diferença: a falta de água. Na delegacia de polícia de Marituba, na região metropolitana de Belém, a superlotação e o calor dentro das celas obrigavam os policiais a deixarem abertas, durante todo o dia, duas torneiras. Uma das fontes de água deixava o chão constantemente molhado. Como não tinham colchões, os presos dormiam sobre as poças. A outra torneira fazia a água escorrer pela parede. Essa água, por sinal, era a única fonte de consumo dos presos. Seja por falta de água, seja por superlotação ou por falta de condições dignas, o sistema carcerário brasileiro favorece as rebeliões. E apesar das tentativas, dizem os juízes do CNJ, não há perspectiva de melhora.

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