Água não será religada para evitar nova ocupação

Objetivo da Defesa Civil de Teresópolis é fazer com que moradores não voltem para 93 áreas[br]consideradas de risco

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2011 | 00h00

Com o objetivo de evitar que áreas devastadas pelo temporal da semana passada sejam ocupadas novamente, a Defesa Civil de Teresópolis determinou que o fornecimento de água seja interrompido em 93 pontos da cidade sujeitos a enchentes e deslizamentos. Nas comunidades onde tubulações foram danificadas, caminhões-pipa atenderão os moradores, mas a rede de abastecimento não será restabelecida.

"Em alguns locais, a Defesa Civil afirma que não é interessante retomar o fornecimento, pois os moradores serão removidos. Nesses casos, não queremos incentivar a ocupação irregular", diz o presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae), Wagner Victer.

A lista das regiões que terão o fornecimento de água cortado ainda não foi enviada à Cedae, mas a prefeitura afirma que pretende aplicar um decreto editado em 2009, que exigia que as concessionárias de serviços públicos não fizessem ligações em 93 áreas de risco mapeadas pela Defesa Civil.

A Cedae afirma que já restabeleceu o abastecimento de água em 95% do município de Teresópolis. Os 5% restantes são áreas em que a tubulação apresenta vazamentos que serão reparados ou locais em que o fornecimento não será retomado, segundo a determinação da prefeitura.

Isolados. Cerca de 30 pontos de Teresópolis que estão parcialmente isolados podem não ter seus acessos desbloqueados. A decisão seria uma forma de obrigar os moradores a deixar as áreas consideradas de risco, diz o secretário municipal de Segurança Pública, Laet Moutinho.

"Comunidades nas localidades de Santa Rita, Granja Florestal e Campo Grande não terão seus acessos liberados nunca, pois a dimensão dos deslizamentos foi enorme. Temos então uma oportunidade para o poder público retirar as ocupações irregulares", afirmou.

Não há prazos, mas os municípios da região serrana e o governo do Estado darão início hoje ao cadastramento das famílias desabrigadas, que receberão até R$ 500 por mês para alugar uma nova moradia. A remoção faria crescer ainda mais a procura por imóveis. Só em Teresópolis, há mais de 11 mil desabrigados ou desalojados.

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