Nelson Lisboa/Jornal Tapera/Estadão
Nelson Lisboa/Jornal Tapera/Estadão

Água do Tietê fica preta e assusta moradores de Salto

Alteração no rio também deixou peixes mortos; Cetesb diz que é um fenômeno natural causado pelas chuvas

Chico Siqueira, ESPECIAL PARA O ESTADO

27 Novembro 2014 | 19h43

ARAÇATUBA - A água do Rio Tietê ficou preta e pastosa na manhã desta quinta-feira, 27, e assustou os moradores de Salto, no interior de São Paulo. Também foi registrada a morte de uma quantidade não calculada ainda de peixes na região. “Parecia petróleo, tamanha a solidez da água, mas eram materiais particulados (sólidos em suspensão), que reduziram o nível de oxigenação e mataram os peixes”, afirmou o secretário de Meio Ambiente de Salto, João De Conti Neto.

Segundo ele, a poluição foi causada por materiais sólidos, acomodados no fundo do rio, que se soltaram e foram arrastados pelas chuvas, causando o fenômeno. No entanto, havia a suspeita de que a abertura de comportas de barragens tenha causado a suspensão dos materiais e levado uma grande quantidade de sujeira rio abaixo - elas teriam sido abertas para evitar inundação em São Paulo, distante 80 km de Salto. As comportas seriam das barragens de Santana de Parnaíba e de Pirapora do Bom Jesus, administradas pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE).

A última vez que um fenômeno semelhante aconteceu foi há 12 anos. Na época, o Ministério Público aplicou multa na EMAE, cujos recursos foram usados em uma cooperativa de reciclagem de materiais. 

Outro lado. A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) informou que a mudança da cor da água é um fenômeno natural, causado pelas fortes chuvas “que promoveram o carregamento de resíduos dispostos no solo, em corpos d’água afluentes e no próprio leito do rio pela correnteza”. Segundo a companhia, é um processo recorrente quando há chuvas intensas, especialmente após períodos de estiagem. 

Já a EMAE afirmou que “a operação das barragens sob sua responsabilidade é feita de acordo com as regras vigentes para o controle das vazões”. 

Mais conteúdo sobre:
Crise da água

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.