Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Água do mar para o Cantareira pode custar um terço do previsto

Revisão do valor para R$ 2 bilhões foi anunciada no encontro Soluções de Água Israelenses-Brasil, que reuniu integrantes da Missão Econômica de Israel no País, empresários e dirigentes de serviços municipais e concessionárias de abastecimento

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2015 | 19h37

iNDAIATUBA - O projeto de dessalinização da água do mar para encher o Sistema Cantareira pode custar cerca de R$ 2 bilhões, um terço do valor previsto inicialmente, disse nesta quinta-feira, 26, o secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz. A revisão no valor foi anunciada durante o encontro Soluções de Água Israelenses-Brasil, que reuniu integrantes da Missão Econômica de Israel no País, empresários e dirigentes de serviços municipais e concessionárias de abastecimento.

Segundo ele, a água do mar seria captada em Bertioga, litoral norte de São Paulo, dessalinizada e bombeada por dutos pela Serra do Mar até o reservatório Jaguari/Jacareí, no Cantareira. A proposta do PCJ é manter o nível do Cantareira em 80% do volume útil, deixando 20% como volume de espera para absorver as chuvas, evitando inundações à jusante das barragens. A revisão no valor foi feita após a apresentação de novas tecnologias pelas empresas israelenses que integram a missão. 


Os novos números, segundo Lahóz, tornam o custo do projeto compatível com o do Sistema São Lourenço, em que o governo estadual, por meio de Parceria Público-Privada (PPP), vai captar 4,7 m3/s na bacia do Rio Juquiá, no Vale do Ribeira, para abastecer parte da Grande São Paulo. Ele lembra que o projeto Bertioga-Cantareira prevê a captação e dessalinização de 40 m3/s, suficiente para manter cheio o Cantareira, que abastece 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo, e abastecer também os 5,5 milhões de habitantes da área do PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), que inclui a região metropolitana de Campinas.

Lahóz disse que o projeto está sendo analisado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que já mantém conversas com empresas israelenses. "É também uma opção para abastecer Santos, Guarujá e outras cidades do litoral que têm falta de água no verão." A Sabesp, no entanto, negou que esteja analisando o projeto de dessalinização, embora o assessor da diretoria da empresa, Hélio Rubens Figueiredo, estivesse presente no evento. A Sabesp informou também que a Baixada Santista já é atendida por um sistema integrado de abastecimento e não teve problema de falta de água no verão de 2014.

O projeto do PCJ despertou interesse de outras capitais litorâneas, como o Rio de Janeiro e Fortaleza. No caso da capital cearense, a dessalinização é vista como saída para resolver a competição pela água entre a população urbana e o produtor agrícola. "Quando falta água para irrigação, o agricultor não planta e, para evitar o êxodo, foi fixado um valor que ele recebe pelo que deixa de plantar." O governo do Rio já manteve reuniões com técnicos israelenses na tentativa de reduzir a dependência da Bacia do Paraíba do Sul.

Viável em área carente. De acordo com o cônsul para Assuntos Econômicos de Israel, Boaz Albaranes, o custo da dessalinização está em US$ 0,55 o metro cúbico (cerca de R$ 1,70) e, embora mais elevado que o do tratamento convencional da água doce, torna viável o projeto em áreas com carência de água. "Ainda é mais caro que tratar água doce, mas a diferença já não é tão grande." Segundo ele, como Israel depende da água dessalinizada, as empresas de seu país estão em busca constante de novas tecnologias para baixar o custo. "A saída é fazer parcerias, porque usar água do mar ainda exige forte investimento inicial, mas é um bom negócio." A maior usina de Israel opera através de uma PPP, segundo ele.

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