Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Água continua contaminada na FMU da Vila Mariana cinco meses após detecção de bactérias 

Quatro análises da água já foram realizadas e apresentaram a presença de bactérias nos reservatórios da instituição

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2019 | 09h31

Após cinco meses, a contaminação detectada na água de uma das unidades do Centro Universitário FMU, localizada na Vila Mariana, na zona sul da capital, ainda não foi solucionada, de acordo com a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa). O órgão, ligado à Secretaria Municipal da Saúde, disse que quatro análises da água já foram realizadas e apresentaram a presença de bactérias. Informou ainda que a instituição foi multada e permanece com reservatórios de água lacrados. Em nota, a faculdade afirma que realizou todas as adequações solicitadas e que tem uma central de tratamento que garante a potabilidade da água em suas instalações.

A situação começou no final de outubro do ano passado, quando alunos e professores apresentaram sintomas como vômito e diarreia. A partir de novembro, inspeções e análises da água começaram a ser realizadas. A faculdade entrou em recesso no final do ano, as aulas foram retomadas e o problema permanece.

De acordo com a Covisa, a última coleta foi realizada no dia 6 deste mês. Foi a quarta análise desde que a situação foi detectada. Dois dias depois, o resultado ficou pronto e apontou a presença de bactérias. 

"Com isso, foi aplicada multa e os reservatórios dos blocos A e C permanecem interditados. A instituição de ensino foi orientada a realizar nova limpeza e higienização dos reservatórios, bebedouros e torneiras no prazo de sete dias, a contar do dia 21".

Uma estudante do curso de arquitetura e urbanismo de 22 anos, que não quis se identificar, está se sentindo prejudicada pela situação.

"Estamos trazendo água de casa ou comprando. A recomendação é para não beber água. Só está funcionando o banheiro do térreo e não tem previsão para resolver o problema."

Ela diz que não muda de instituição por estar terminando o curso. "É uma situação complicada, porque a gente paga (a faculdade) e é caro, mas já estou no último ano e não compensa trancar."

A faculdade diz que, desde o início da situação, oferece água mineral para os alunos e funcionários.

Sobre a última análise, informou que o laudo apontou que "um dos cavaletes que traz a água da empresa fornecedora de saneamento básico para dentro do câmpus está sinalizado como ponto insatisfatório".

Mas destacou que a estação de tratamento instalada no local deixa a água própria para consumo. "Com base nisso, a FMU esclarece que apresentou defesa administrativa, com intuito de evidenciar todas as ações tomadas."

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) disse, em nota, que equipes estiveram no endereço da faculdade e no entorno para coleta de amostras de água no cavalete, localizado fora do prédio, em novembro de 2018 e nos dias 19 e 22 de fevereiro deste ano, e que "todos os testes tiveram resultado normal, sem alterações na qualidade da água, atendendo aos padrões de potabilidade definidos por lei".

A companhia informou que os resultados foram encaminhados à Covisa. "Se houvesse anormalidade, o órgão já teria notificado a Sabesp". Disse ainda que novas amostras de água foram coletadas na quarta-feira no cavalete do imóvel da FMU, localizado na Rua Dona Júlia, e que "todos os parâmetros analisados estão em conformidade legal". "A responsabilidade pela manutenção das instalações internas não é da companhia de saneamento, mas do dono do imóvel." 

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