Água Branca vai cobrar estacionamento

Privatização é a mais nova polêmica no parque da zona oeste; administração diz que segurança vai aumentar, mas usuários reclamam

Ana Bizzotto, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

Portões fechados. Frequentadores desavisados formaram filas e tiveram de dar meia volta  

 

 

 

 

As portarias do Parque da Água Branca, na zona oeste da capital paulista, amanheceram fechadas ontem para a entrada de carros. O motivo do fechamento, que surpreendeu vários frequentadores desavisados, é o início das reformas das guaritas e de edifícios próximos das portarias. Mas, além dos projetos de revitalização, o parque terá estacionamento cobrado, por meio de permissão de uso concedida a uma empresa privada.

Com cerca de 200 vagas em áreas próximas dos portões da Ruas Dona Ana Pimentel e Ministro Godoi, o estacionamento é um dos poucos ainda gratuitos na cidade. Segundo o diretor do parque, José Antônio Teixeira, a permissão de uso é estudada há cerca de dois anos e o próximo passo é a aprovação do governador Alberto Goldman (PSDB).

"Uma vez autorizada a permissão de uso, entra em licitação." Ele explica, porém, que ela só pode ser aberta após conclusão das reformas, prevista para dezembro. Já a obra das guaritas deve durar três meses.

Para Teixeira, a cobrança aumenta a segurança para os carros dos usuários, além de dar receita extra à Secretaria de Estado da Agricultura para ser investida no parque. "Hoje não temos esse controle nem seguranças para fazer esse tipo de trabalho. Muita gente vai trabalhar, deixa o carro e sai por outro portão. O carro fica aqui o dia inteiro." Em uma pesquisa feita em 2008 pela empresa júnior da Escola de Comunicações e Artes da USP com 300 usuários, 78% afirmam que não usam os estacionamentos.

Mas ao saber pela reportagem da cobrança, muitos reclamaram. "Uma coisa pública ser privatizada é ridículo. O estacionamento sempre funcionou assim (gratuito) e nunca teve problema", disse o vendedor autônomo Santo Bedendo, de 55 anos. "Já ganham dinheiro de impostos, não precisavam fazer isso", disse o representante de vendas Francisco Visconti, de 76.

Para Cândida Meireles, da Associação de Ambientalistas e Amigos do Parque da Água Branca (Assamapab), a cobrança é válida desde que a receita seja totalmente usada na manutenção do parque. "Se eles realmente garantirem isso, o frequentador verá o retorno e aceitará melhor."

Portões fechados. Até o fim da manhã, o portão da Rua Ministro Godoi estava fechado pela metade e só uma faixa após a entrada alertava sobre o fechamento. Às 13h30, a faixa foi colocada no portão. Na Rua Dona Ana Pimentel, a faixa no portão não bastou: carros formavam fila que ocupava a rua sem saída. Funcionários precisaram liberar a entrada para os usuários fazerem o retorno.

A dentista Adriana Alarcon, de 33 anos, desistiu de ir ao parque com as filhas e a mãe. "Faltou divulgação. Não há vaga na rua, e no fim de semana será pior. Só volto quando reabrirem o estacionamento." Ela pagaria para estacionar, desde que fosse para "deixar o parque mais bonito".

Pouca divulgação

JOSÉ ANTÔNIO TEIXEIRA DIRETOR DO PARQUE

"Fora dos limites do parque não tenho jurisdição para colocar faixa (que avisaria os frequentadores sobre a interdição do estacionamento). Poderia ser multado pela Lei Cidade Limpa."

PARA LEMBRAR

Corte e poda de árvores virou caso de polícia

O projeto de revitalização do Parque da Água Branca tem causado polêmica entre os frequentadores. No começo do mês, moradores da região, alertados pelo barulho de motosserras, denunciaram o corte de dezenas de árvores ao Ministério Público, que acionou a Polícia Ambiental.

A direção do parque apresentou autorização da Secretaria Municipal do Verde e do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo, mas o MP resolveu investigar a documentação porque o parque e sua vegetação são tombados desde 1996.

A Promotoria já havia recebido denúncia sobre a construção de uma praça de alimentação ao lado do bosque que foi desmatado. Os frequentadores reclamam também da redução de aves soltas no local.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.