Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Agressores da Paulista são soltos

Jovens de classe média acusados de atacar três pessoas no domingo vão responder em liberdade

Tiago Dantas / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2010 | 00h00

A Justiça libertou ontem os cinco jovens de classe média acusados de agredir três pessoas na Avenida Paulista, na manhã de domingo. Os adolescentes responderão, em liberdade, por ato infracional. Único maior de idade do grupo, Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos, responderá, também em liberdade, pelos crimes de lesão corporal, roubo e formação de quadrilha.

Jonathan deixou o 2.° Distrito Policial (Bom Retiro) por volta das 16 horas de ontem, escondendo o rosto com uma pasta. Foi libertado pois não tinha antecedentes criminais e possui endereço fixo, segundo o Tribunal de Justiça (TJ).

Os quatro menores de idade passaram a madrugada de ontem em unidade da Fundação Casa no Brás, região central de São Paulo. Eles foram soltos às 14h15, após audiência r no prédio vizinho, a Vara da Infância e da Juventude. Cobrindo os rostos com as blusas, os três jovens de 17 anos e o outro de 16 não deram entrevistas e saíram em carros de parentes e advogados.

A defesa dos jovens nega uma das agressões e alega que as outras duas ocorreram após briga. A discussão teria começado quando um dos agressores foi paquerado por uma das vítimas. Testemunhas e agredidos contestam a versão.

A Polícia Civil acusa os cinco de crimes cometidos em três momentos diferentes no domingo. Primeiro, por volta das 3 horas, os jovens teriam atacado e assaltado o lavador de carros G.F.A., de 18 anos, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Cerca de três horas depois, na Avenida Paulista, teriam espancado o fotógrafo R.S.R., de 20, e seu amigo O.D.P., de 19, que teria sido xingado de "bicha". Na sequência, a vítima, diz a polícia, foi o estudante L.A.B., de 23.

"A Justiça entendeu que as colocações feitas na delegacia não eram plausíveis", afirmou o advogado Orlando Machado. "O roubo já foi descartado. Os outros casos ocorreram no trajeto deles. Não houve homofobia. Não houve racismo. Foi uma briga. Aconteceu uma agressão, uma paquera por parte de um deles (vítima) e tudo começou."

O lavador de carros G. voltou a dizer ontem que tem certeza de que pelo menos dois dos detidos o agrediram. "Só não posso dizer que eles me roubaram. Depois, desmaiei. Quando acordei, estava sem carteira, blusa e celular." Machado diz que às 3 horas seus clientes estavam em uma boate em Moema, na zona sul. Testemunhas da agressão a L. disseram que ele não dirigiu a palavra aos acusados. O rapaz afirmou que não conhecia os outros agredidos.

"O cuidado que temos de ter é que, por mais que se rotule o fato (como homofobia), houve uma briga", disse o promotor da Infância e Juventude Tales César de Oliveira. "E deixar pessoas internadas por briga, em um País em que não se consegue levar um assaltante para a cadeia..." / COLABOROU BÁRBARA SOUZA

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Bruno Menezes

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"É triste ver que as pessoas não têm nada na cabeça e que isso começa em casa"

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