Agressor de livraria vai para manicômio

Personal trainer que golpeou designer com taco de beisebol será avaliado por peritos e resultado do exame indicará forma de punição

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

A Justiça determinou ontem a transferência do personal trainer Alessandre Fernando Aleixo, de 39 anos, para um hospital psiquiátrico, a pedido do Ministério Público. Ele estava havia oito meses em um Centro de Detenção Provisória. A defesa discordou.

No depoimento prestado no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, Aleixo mostrou-se confuso e alterou sua versão sobre o motivo de ter golpeado com um taco de beisebol o designer Henrique de Carvalho Pereira na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, no centro da capital, em 21 de dezembro. Ele alegou sofrer "perseguição de pagãos". Anteriormente, alegara que pretendia prejudicar a imagem do dono da livraria, Pedro Herz.

"A intenção dele era chamar a atenção da Justiça para poder falar sobre essa conspiração dos pagãos", afirmou a promotora Maria Gabriela Ahvalli Steinberg. Herz, segundo Aleixo, seria um dos "pagãos".

O personal manteve o restante do relato feito a policiais em 10 de fevereiro no CDP de Pinheiros. E reafirmou ter atacado o primeiro com quem se deparou naquele dia. No depoimento, ainda mencionou aleatoriamente passagens da Bíblia e o morte da jovem Eloá Cristina Pimentel, assassinada pelo ex-namorado Lindenberg Fernandes em 2008.

Diante do que viu, a juíza Tânia Magalhães Avelar Moreira determinou a avaliação de Aleixo por peritos para verificar se ele estava ciente do seu atos. O resultado do exame indicará a forma de punição do réu. O laudo deve sair dentro de 45 dias.

No ano passado, um psiquiatra diagnosticou que Aleixo sofria de esquizofrenia paranoide e receitou para ele tranquilizantes e antipsicóticos. Em 19 e 22 de janeiro, um médico do CDP também constatou a doença. O preso recusou remédios.

Defesa. Tânia ordenou a transferência de Aleixo para um hospital psiquiátrico, contra a vontade do advogado do réu, Mario Henrique Ditticio. "Ainda não há laudo e ele está há oito meses no CDP e não foi agredido nem agrediu ninguém." A Secretaria de Administração Penitenciária informou que, até ontem, não fora comunicada e, portanto, não se pronunciaria.

Vítima

O designer Henrique de Carvalho Pereira está internado no Hospital das Clínicas. Ele foi operado quatro vezes, a última em 19 de julho. Está inconsciente e seu estado é considerado grave.

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