Agressões eram frequentes na vida de atirador

O bullying sempre esteve presente na vida de Wellington Menezes de Oliveira, o assassino de Realengo. Para ex-colegas da Escola Municipal Tasso da Silveira, isolamento e transtornos mentais não tratados o mergulharam no turbilhão de fantasias vingativas que resultou na morte de 12 adolescentes.

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2011 | 00h00

"Nada justifica o que ele fez, mas acho que família e colégio erraram. Ele falava sozinho, não descia no recreio, nunca reagia a agressões. Mas não houve diagnóstico, apesar de a escola contar com turma de alunos especiais", conta Eduardo Magalhães, colega de turma em 1999 e 2000. "Sempre fui gordinho e era alvo de piadas, mas reagia. Ele apenas ria e não falava nada."

A falta de reação era estímulo às gozações. "Meninas encarnavam muito nele. Passavam a mão e o chamavam de veadinho. Garotos amarravam o cadarço dele à mesa e um dia o jogaram na lixeira", lembra Rodrigo França.

Diretora da Tasso da Silveira na época de Wellington, Marina de Carvalho diz que chegaram a procurar parentes de Wellington. Eles informaram que o haviam levado a um psicólogo, mas ele parou o tratamento. No 2º grau, no Colégio Estadual Madre Teresa de Calcutá, ele voltou a ser vítima de gozações. De barba, sempre respondia com: "Cuidado, sou homem-bomba". Também era alvo de deboche no trabalho. Após a morte da mãe adotiva, em 2009, passou a beber, fumar e se isolou. No ano seguinte, passou a arquitetar a pior matança em escolas do País.

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