Agressões de punks mataram ao menos cinco pessoas em 2007

Estudante de 17 anos foi espancado no sábado e teve trauma na coluna cervical e no crânio; nove foram presos

Camila Haddad, do Jornal da Tarde,

22 de outubro de 2007 | 08h22

Do começo do ano até agora, a Polícia Civil de São Paulo já registrou pelo menos sete brigas e cinco assassinatos envolvendo integrantes do movimento punk. Na maioria das vezes, as vítimas eram ligadas a grupos considerados rivais dos punks. Na noite de sábado, 20, um estudante de 17 anos foi agredido na cabeça a socos e pontapés por um grupo de 20 punks, na Avenida Tiradentes, no bairro da Luz. O rapaz continuava em observação no Hospital Nossa Senhora de Lourdes, no Jabaquara, zona sul, com trauma na coluna cervical e no crânio. Ele não corre risco de morte e um novo boletim médico seria divulgado no fim da manhã desta segunda. Nove pessoas foram presas pelo espancamento. Um dos integrantes do grupo, Johni Haoni Galanciak, de 21 anos, já havia sido detido em outubro de 2006, no dia do segundo turno eleitoral, em frente ao Colégio Santa Cruz, em Pinheiros, na zona oeste, enquanto aguardava a chegada do governador José Serra (PSDB), que iria votar no local. Galanciak carregava com ele uma sacola de ovos. Apesar de a maioria dos casos de brigas e espancamentos serem entre grupos de punks rivais, há exceções. Como é o caso do assassinato do turista francês Grégor Erwan Landouar, em junho, depois da Parada Gay. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância mantém um acervo de 3 mil fotos de gangues na cidade, a maioria punks. Neste mês, também houve um segundo caso de espancamento no centro de São Paulo. Na semana passada, o atendente de uma pizzaria express foi morto durante briga iniciada por três punks dentro do Terminal Parque Dom Pedro II. Testemunhas disseram que o funcionário negou-se a dar desconto em uma minipizza de R$ 1. Segundo a polícia, eram 23h50 quando o bando de 20 jovens saiu da casa de shows Hangar 110, na Rua Rodolfo Miranda, na mesma região, e encontrou o estudante, que estava com dois amigos. Sem motivo aparente, eles começaram a bater no estudante. A Hangar é conhecida tradicionalmente por reunir punks às sextas-feiras. O grupo acusado pelo espancamento vai responder por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e roubo, já que os tênis da vítima foram arrancados.

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