Agressão de GCMs contra skatistas reacende debate sobre uso da Roosevelt

Após vídeo causar grande discussão na web, corporação afasta agente que aparece sem farda nas imagens e outros colegas envolvidos

Juliana Deodoro, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2013 | 02h01

SÃO PAULO - A Prefeitura afastou na segunda-feira, 7, integrantes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) envolvidos em uma agressão contra skatistas na sexta-feira na Praça Roosevelt, no centro da capital. Além de uma "gravata", dada por um guarda sem farda em um dos skatistas, pelos menos outros cinco jovens foram atingidos por spray de pimenta. Gravado por um deles, o conflito teve ampla repercussão na internet - até as 20h15 de segunda, foram 408 mil visualizações. Esse foi mais um capítulo da disputa pelo uso da Roosevelt desde a reinauguração, no fim do setembro.

No vídeo, um guarda sem farda dá uma "gravata" e agride verbalmente o skatista William Matheus, de 20 anos. Segundo ele, os guardas o confundiram com outro garoto que os havia xingado e exigiram que ele fosse até eles. Matheus negou e começou uma discussão. "Eu já não ia reagir, estava cercado. Aí o cara (guarda sem farda) chegou querendo me apavorar." Skatistas que tentavam defendê-lo foram atingidos por spray de pimenta.

 

O jovem foi acusado de desacato à autoridade e diz que não pretendia divulgar as imagens da agressão. "O Edu (Eduardo Régis, skatista atingido pelo spray) colocou na internet e bombou. Não esperava essa repercussão toda, mesmo porque isso já aconteceu outras vezes na praça." No vídeo, o guarda à paisana afirma que eles teriam imagens dos skatistas jogando pedras contra os guardas. Nenhuma dessas imagens foi encontrada e a secretaria não confirmou sua existência.

Histórico. Outro vídeo de conflito na praça também circulou na rede. Em novembro, um skatista foi preso após agredir um guarda. A viatura da GCM que o levava foi cercada por amigos do detido e ele foi liberado.

Para tentar resolver questões como essas, a Ação Local da Roosevelt e a Confederação Brasileira de Skate (CBSK) têm se reunido desde outubro para definir regras de ocupação da praça. Ficou decidido que os skatistas poderiam usar o espaço entre 8h e 23h e uma área próxima à Rua da Consolação seria reservada para a prática do esporte. Dois meses depois do acordo, pouco foi feito nesse sentido.

O presidente da Ação Local, Jader Júnior, afirma que os skatistas têm respeitado o horário de uso, mas que o espaço da praça é totalmente ocupado por eles. "Não dá para definir uma ordem se as placas não forem instaladas e a área não for reservada", diz. Segundo ele, grande parte dos skatistas que frequentam a Roosevelt vem de outras regiões da cidade. "Queremos conviver com todo mundo, mas desde que eles respeitem os moradores. Não é o que acontece sempre. Eles estão ocupando o espaço, depredando o patrimônio, há uma série de problemas."

Jader Júnior afirma que no sábado, um dia após o conflito com os skatistas, uma criança foi atingida na cabeça por um skate de uma pessoa que andava na praça. O pai da criança quebrou o skate e levou o filho para o hospital. "A realidade de quem tem de conviver com o skate na praça é bem diferente", reclama.

Para o vice-presidente da CBSK, Edson Scander, os conflitos continuarão até que as mudanças definidas por essa comissão sejam implementadas. "Hoje, o skatista e outros usuários não sabem nenhuma regra do local. Os skatistas estão tentando usufruir o espaço público, que já é pouco na cidade, e de repente são surpreendidos de forma truculenta."

Ele afirma ainda que uma reunião do Conselho Gestor da Praça já deveria ter ocorrido neste ano, mas nem a Confederação nem a Ação Local sabem por que foi cancelada. "O skatista não quer confronto, só quer espaço para praticar seu esporte."

Futuro. De acordo com o subprefeito da Sé, Marcos Barreto, uma reunião será marcada nos próximos dias com a GCM e os secretários da Segurança Urbana e do Verde e Meio Ambiente para discutir com a comunidade e o Conselho Gestor as regras que eles querem para o lugar. "É uma questão de ajuste", garante. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana afirma que "não tolera" condutas como as dos agentes envolvidos no incidente da Praça Roosevelt.

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