Reprodução| Facebook
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Agressão a morador de rua provoca revolta nas redes sociais

Sem nome dos agressores, motorista de Uber que gravou ato não conseguiu fazer boletim de ocorrência

Rafael Pezzo, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2016 | 13h24
Atualizado 10 de outubro de 2016 | 19h09

Um homem de terno, acompanhado de mais dois, foi filmado agredindo um morador de rua na região central de São Paulo, nesta sexta-feira, 7. A gravação de apenas sete segundos, feita pelo motorista de Uber Maicon Campos, de 25 anos, na Rua Joaquim Gustavo, já soma mais de 6 mil compartilhamentos e 224 mil visualizações no Facebook. 

"Eu parado no carro e, quando olho para o lado, dois caras começam a chutar um morador de rua sem ele sequer fazer nada. Quando sai do carro para falar, eles saíram andando. Inacreditável!", publicou na rede social. Ex-morador da região, o motorista diz que se habituou com a presença de moradores de rua no centro, mas nunca havia testemunhado alguma agressão contra eles. 

Depois de deixar um passageiro no quarteirão anterior, Maicon parou o carro perto de onde o mendigo dormia. Logo depois, três homens se aproximaram do morador de rua e começaram a mexer com ele, que não acordou. "Quando o homem de camisa azul chutou o mendigo, peguei meu celular e comecei a gravar. Mas consegui pegar só a agressão do que estava de terno ", conta Campos. "Nada justificou a agressão. O morador de rua estava domindo."

Indignado, Maicon então desceu do carro e seguiu o trio. Na rua seguinte, eles estavam conversando com policial militar. "Falei para o agente o que os homens tinham acabado de chutar o mendigo, mas o policial me informou que não poderia fazer nada porque não havia flagrado o ato." Maicon se dirigiu a uma base comunitária da PM próxima ao local, e ouviu a mesma resposta. O motorista ainda afirma que um dos homens anotou a placa do seu carro, mas não sofreu ameças sobre a repercussão do vídeo. 

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública esclareceu que a pessoa que gravou a ação pode comparecer a qualquer Distrito Policial para denunciar a agressão e registrar as informações sobre hora, local da agressão e características da vítima. "Assim, a polícia poderá investigar o caso.  Vale ressaltar que a situação exposta pela reportagem não caracteriza um flagrante, de acordo com a legislação brasileira". 

REPERCUSSÃO

O vídeo de Maicon ganhou maior repercussão quando Gerson Carneiro o compartilhou, alcançando 4,4 milhões de visualizações e outros 99 mil compartilhamentos. Este último escreveu que a cena "poderia ser na Alemanha nazista". Mais tarde, a página oficial do ator Cauã Reymond também replicou a gravação. 

O alcance do vídeo surpeendeu o motorista, que espera encontrar o agressor. Nos comentários, outros usuários estimulam a campanha pela identificação do homem, com a foto do rosto do homem em uma imagem congelada do vídeo. 

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