Agora, top precisa ter mais de 1,78 m e rosto de boneca

Agências seguem modelo europeu; novatas com quadril estreito fazem sucesso na Bienal

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

20 Março 2013 | 02h06

As tendências da moda não se restringem às coleções lançadas pelos estilistas. Na passarela, as tops também precisam atender aos padrões de beleza, que mudam com o tempo. Se antes as brasileiras emplacavam pelo exotismo, agora a receita está mais inflexível. O ideal é ter mais de 1,78 metro de altura, quadril estreito e rosto de boneca.

Hoje, de cada 100 modelos que batem à porta de uma agência, apenas duas conseguem uma chance de fato de entrarem para o mundo fashion. "Mudanças sempre ocorrem. O mercado vive de novidades. O padrão de medidas está se igualando ao do mercado europeu, onde as modelos tem no mínimo 1,78 metro de altura e 87 cm de quadril", diz Ale Gusmão, booker internacional da agência Closer.

Além do número de modelos ter aumentado no mercado, as marcas, em geral, procuram mulheres que encantem em qualquer lugar do mundo para atender ao mercado globalizado. E para isso, sorte de quem nasceu com rosto de boneca do tipo Jennifer Lawrence, vencedora do Oscar deste ano. Mas não é preciso ser necessariamente loira. "Uma negra com os traços europeus também tem muito potencial para dar certo", ressalta Gusmão.

Bienal. Nessa temporada de desfiles de verão, que vai até sexta-feira, na Bienal, já é possível ver o reflexo dos novos padrões. Uma das queridinhas das passarelas da edição é Kamila Ransen, de 19 anos, a nova aposta da agência Ford, que até agora já foi escolhida por 13 marcas. A pernambucana tem olhos verdes, cabelo preto, pele clara e perfil perfeito - do tipo Audrey Hepburn. Com biotipo oposto, Amanda Santana também vem aparecendo na maioria dos desfiles da SPFW, segundo especialistas, porque segue a tal da beleza clássica, que está em voga.

Atitude. Aliados aos quesitos físicos, há ainda a questão da postura profissional. "A modelo precisa chegar na frente do cliente muito preparada. Não pode demorar na troca de roupa e tem de conhecer bem a marca que vai desfilar. Ela deve chegar já a incorporar a atitude ideal para despertar o desejo de compra do produto", diz Anderson Baumgarten, da Way.

As agências patrocinam cursos para deixá-las dentro do padrão. Falar baixo, ter um bom português e ótima comunicação fazem hoje parte do currículo base. "O problema é que são tantas as candidatas que, ao serem treinadas, ficam todas na média", diz Gusmão. "Temos muitas modelos boas. Poucas ficam de fato famosas. A última foi Carol Trentini, que surgiu há uma década, e está na lista das modelos ícones do mundo. Hoje, as grifes internacionais estão de olho nas russas e nas holandesas. "Para se destacar internacionalmente, vai precisar de muita dedicação", diz Baumgarten. "Quando uma menina reclama na sessão de fotos, o cliente já descarta e pede para entrar outra."

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