Agora, o Haiti é aqui. Efetivamente

O que mais se ouve entre os militares neste momento é que, efetivamente, agora o Haiti é aqui. A boa repercussão do trabalho conjunto, no País e no exterior, com tudo sendo feito sem derramamento de sangue, animou a tropa, que tem se mostrado orgulhosa de ajudar a população a "devolver a paz ao Rio".

Bastidores: Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2010 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que está em Varsóvia, na Polônia, já avisou que é preciso "romper paradigmas" e o recado foi entendido: não se pode deixar agora de atender ao apelo da sociedade. Ontem, Jobim, em sintonia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a garantir que "todo o suporte que o Rio necessitar será dado". O fato é que, neste momento, a ocupação dos morros pelas Forças Armadas é tida como inevitável. É nesse clima de entendimento que começa a ser ajustado o termo aditivo da operação - se será só de patrulhamento armado, se de manutenção da ordem ou se de cerco à área que anteriormente era dominada pelo tráfico. A avaliação é de que o número de militares a atuar nos morros deve ser da ordem de 2,2 mil a 2,6 mil militares, como pediu Cabral.

As Forças Armadas entendem que será necessário um rodízio do pessoal a atuar nos morros - não só pelo desgaste, mas também para evitar o risco de contaminação com o tráfico. Uma boa parte desse pessoal a ser empregado nesse tipo de operação já atuou no Haiti, onde executou missão semelhante em Porto Príncipe. Hoje, na ativa, existem cerca de 12 mil veteranos do Haiti em diferentes postos, desde soldados, cabos, sargentos e oficiais.

Outra preocupação da Força é que além de atender a esta nova demanda, o Exército não poderá deixar de cumprir missões para as quais já estava designado, como o envio e preparo de homens para o Haiti e para a segurança dos Jogos Mundiais Militares que ocorrerão no Rio, no meio do ano que vem.

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