Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Agora é a Granja Julieta que não quer venda de terreno

Área é uma das 20 que a Prefeitura pretende negociar e vale R$ 36 milhões; moradores se mobilizam contra a medida

Rodrigo Burgarelli e Cida Alves, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

Moradores e ativistas estão protestando contra a venda de mais um dos 20 terrenos que o prefeito Gilberto Kassab (sem partido) quer negociar com a iniciativa privada. A reclamação agora é na Granja Julieta, na zona sul. A reivindicação é que a área de quase 18 mil m² na Avenida Alceu Maynard Araújo seja usada para a construção de um parque. Moradores também querem que uma cooperativa de catadores de lixo - instalada ali até 2008 - volte ao local.

Atualmente, ocupam o terreno um ecoponto e uma garagem da Prefeitura. O local é um dos mais valiosos na lista das áreas a serem vendidas pelo governo municipal - o valor estimado é de R$ 36 milhões, de acordo com a Empresa Brasileira de Estudos Patrimoniais (Embraesp). Segundo a estimativa, feita a pedido do Estado, o terreno só perde para o quarteirão do Itaim-Bibi, para a Subprefeitura de Pinheiros e para a usina de asfalto da Barra Funda, que também estão na mira da Prefeitura.

Os moradores, porém, reclamam que não foram consultados antes da aprovação do projeto de lei que permite a venda do tereno e querem que o local seja destinado para outras finalidades. A principal reivindicação é a volta da cooperativa de catadores. "Eles estavam aqui desde 2003. Depois do incêndio (em 2008), começamos a lutar para que a cooperativa voltasse. Seria um uso muito mais nobre do que a venda para uma construtora", disse Joelma Couto, que participa do Conselho de Meio Ambiente da Subprefeitura de Santo Amaro.

Metade dos 55 moradores da cooperativa é de pessoas em situação de rua que vivem em abrigos da região. Os demais são moradores do bairro da Barragem, no extremo sul. A maioria vive só com os R$ 1.200 de salário da cooperativa.

Na mesma época do incêndio no galpão da Avenida Alceu Maynard Araújo, a catadora Marinês da Silva Santos, de 30 anos, perdeu a casa em uma enchente. Sem lugar para morar, ela chegou a viver um mês na construção incendiada. Com o anúncio da venda do terreno pela Prefeitura, perdeu de vez a esperança de voltar a trabalhar no local.

Segundo Marinês, chegou a ser prometido aos catadores que o galpão seria reformado e entregue para a cooperativa. "Isso aconteceria em quatro meses, e já estamos há quase três anos em um lugar improvisado. Acho que vão enrolar a gente até tirar a cooperativa de vez do bairro", afirmou. Instalados em um terreno no fim de um beco da Rua Carmo do Rio Verde, os catadores sofrem pressão dos vizinhos para sair do local, que é impróprio para a atividade. Além do barulho, o galpão não tem todos os equipamentos necessários nem espaço suficiente.

Creche. "Além da volta da cooperativa, queremos que seja construída uma creche para os filhos das catadoras e o restante vire um parque, pois a região é carente de áreas verdes", explicou Joelma Couto. No mesmo quarteirão está um museu chamado Centro de Tradições de Santo Amaro, que não faz parte da área que será vendida.

OS TERRENOS EM NEGOCIAÇÃO

Subprefeituras

Av. Nações Unidas (Pinheiros); Rua General Mendes (Vila Maria)

Usinas de asfalto

Av. Marquês de São Vicente (Barra Funda) e Av. Alceu Maynard

Área invadida/campo

Marginal do Tietê (Barra Funda); Marginal do Tietê (Piqueri)

Espaços públicos (outros)

Av. Cruzeiro do Sul (Pari); Rua Canindé (Pari); Rua Bresser (Mooca); Av. Alcântara Machado (Mooca); Av. Horário Lafer (Itaim-Bibi)

Sem uso

Rua Vinícius de Morais (Consolação); Rua Picarolo (Bela Vista); Av. Juscelino Kubitschek (Itaim-Bibi); Rua Antônio de Lima Neto (Moema); R. José de Magalhães (V. Clementino); Marginal (Freguesia); Av. Zaki Narchi (Santana)

Garagem

R. Afonso Pena (Bom Retiro); R. Pedro de Toledo (V. Clementino)

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